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Monday, July 22, 2013

Tapuru perde a linha


Numa daquelas canas malucas, eu e Schiavo resolvemos ir tomar uma na casa de Bigode, na praia de Caraubas. Sabíamos que Tapuru estava em Muriú, tomando uma na casa do seu primo Ronaldo. Passamos por lá no caminho para levarmos o grande Tapuru conosco.

Acontece que o mesmo já estava morto de embriagado naquele momento e insistiu em ir dirigindo o seu próprio veiculo, o que fortemente desaconselhamos o rapaz, mas diante de sua teimosia conhecida até por Bento 16, resolvemos ir um carro atrás do outro.

Quando estávamos quase saindo de Barra de Maxaranguape, o bebum Tapuru nao parou em um cruzamento que era suposto parar e colide com uma senhora que dirigia um surrado Chevette e que estava acompanhada dos filhos e de outra amiga.

Ao bater no carro, a primeira reação do mago velho foi ir embora, pra nao ter que pagar a conta. Mas a mulher era obstinada e seguiu o mesmo até perto de caraubas, onde dá uma fechada no Tapura, obrigando o mesmo a parar o carro pro estrago nao ser maior.

A gente havia visto a batida e entramos no ritmo de fuga juntamente com o infrator e como nao víamos mais Tapuru no retrovisor, resolvemos voltar pra ver o que tinha acontecido com o rapaz.

A mulher chamava Tapuru de irresponsável e Tapuru rebatia dizendo que ia pagar. Ela indagava como ia pagar se ele estava fugindo. Tapuru nao tinha nada a dizer, só repetia que ia pagar o prejuízo dela. Ela dizia que queria o dinheiro na hora e que ia chamar o marido pra resolver a questão. Tapuru repetia calmamente que iria pagar na segunda, que ali nao possuía o montante.

E a discussão continuava em círculos, com a senhora argumentando que Tapuru havia fugido e que o que garantia a ela que ele nao iria desaparecer na segunda. E Tapuru, com o peso da culpa nas costas, tentava se manter calmo, dizendo que havia errado ao tentar fugir mas que na segunda pagaria pelo carro.

E a mulher berrava, berrava e ate ameaçou das uns safanões do mago bacalhau. Foi nessa hora que vi o mago Tapuru saindo de fininho pro canto da estrada, com as mãos na cabeça como se dissesse: “eu nao agüento mais essa mulher gritando”...

Ficou andando com as mãos na cabeça, dando voltas em torno do próprio corpo até que não agüentando mais a falação da senhora, arrancou uma das estacas que segurava uma cerca e começou a bater com o pedaço de pau no chão, indo em direção à senhora e berrando, com os olhos esbugalhados:

- “Minha senhora, eu já disse que ia pagar esse caralho, mas se a senhora abrir a boca mais uma vez, eu quebro esse pau inteiro em cima dessa lata velha e quebro também em cima da sua cabeça”.

Até eu e Schiavo ficamos assustados com a valentia do magro tapura, que foi se acalmando aos poucos e voltando a si, bufando e envergonhado, conseguiu ainda ouvir as ultimas palavras da senhora, que mudou de idéia repentinamente:

- “Então nós estamos esperando pela ligação do senhor na segunda-feira”.

E Tapuru saiu triunfante, cheio de moral, soltou o pedaço de pau no chão e entrou no carro, parecendo Chuck Norris depois da gripe.

Thursday, June 27, 2013

Tapuru ocupado!

Eu e meu amigo Carlos Piteno, o índio malhado, chegamos um dia na casa do nosso amigo Alexandre Santiago, mais conhecido no submundo do crime como Tapuru, para pegá-lo pra tomarmos uma naquele sábado à tarde. Como de hábito, nem descemos do carro pra tocar a campainha, mas sim apenas gritamos de dentro do carro mesmo:

- “Tapuru, vamos embora, porra!!!”

Nas calçadas, os vizinhos eram muitos, conversando entre eles, aproveitando o dia bonito que fazia. Eram senhoras, senhores, crianças, meninas e mais alguns animais. Qual nao foi a nossa surpresa quando um voz lá de dentro berrou:

- “Tapuru tá cagando!!!”

Não nos agüentamos ao ouvirmos tal inusitada resposta. As senhoras começaram a fazer cara feia e ficou aquele ti-ti-ti dos vizinhos. Piteno, como é filho da puta, e mesmo diante da crise de riso que estávamos tendo, disse que ia chamar Tapuru de novo, só de sacanagem pra ver o que daria. Foi ai que a voz veio mais forte dessa vez lá de dentro:

- “Tapuru tá cagandooooooooooooooooo!!!”

As senhoras em polvorosa começaram a se agitar mais ainda. Começavam a falar da má educação dos moradores daquela rua, diziam que esses novos tempos ninguém tinha valores e etc. Mais uma vez, Piteno grita:

- “Tapuru, meu amigo, vamos logo!!!”

Inconformada, a voz responde:

- “TAPURU TÁ CAGANDO, PORRRRAAAAAAAAAA!!!”

- “Tapuru, rapaz, você nao esta escutando a gente chamar nao, é?”, Piteno provocou.
Xingu, o dono da voz reveladora, perde a paciência e vai até o portão deixar claro o que Tapuru está fazendo. E berra bem próximo ao portão:

- “TAPURU ESTÁ CAGANDO, CARALHO, NAO SABE O QUE É CAGAR NAO? O BICHO TÁ CAGANDO, CAGANDO, CAGANDO...”

E sobe o muro gritando e dizendo o que o rapaz estava fazendo, mas aos poucos foi baixando o tom da voz, até ficar mudo e observando as dezenas de cabeças que observavam incrédulas a sua descrição do porque que o irmão estava demorando.

Abaixou a cabeça lentamente e se retirou do muro, mas nao sem antes perceber que tinham dois indivíduos tendo ataques de riso dentro do carro do Hal Pitena e mesmo com toda a sua cara de pau que é conhecido, passou o dia inteiro sem colocar os pés na calcada. Os gestos de reprovação dos vizinhos fizeram com que o velho xinga se envergonhasse pela primeira vez na vida.

Wednesday, June 26, 2013

O careca e o bacamarte

Gustavo Maguinho e Segundo Motta vinham passeando pela Praia do Meio quando avistaram Mário Careca desfilando alegremente no seu gol branco, recheado de garotas da UNP, onde ele estudava. O fato dele não pegar nenhuma delas fez com que seu apelido na época fosse “Márcio Queirós, aquele que trás as mulheres pra nós”.

Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que esses dois elementos tinham no carro de Segundo Motta, uma espingarda calibre doze, de cano duplo. Como era madrugada, hora do dia em que o medo de assalto aumenta bastante, eles encostaram ao lado do carro de Márcio quando iam subindo a Ladeira do Sol, pela esquerda do careca e antes de Márcio conseguir identificar o que estava acontecendo, Maguinho mete a espingarda nas fuças do negão e grita:

- “Vais morrer, desgraçado!!! Vais morrer, filha da puta!!!”

O careca desesperou-se, soltou as mãos do volante, subiu o canteiro, amassou todo o carro por debaixo, isso sem falar na gritaria e chororô por parte das meninas que o acompanhavam.

Os mal-intencionados Maguinho e Monstro do Pântano (apelido carinhoso de Segundo Motta) foram até a praia novamente e outra vez subiram a ladeira do sol atrás de saber o que havia acontecido com Marcio.

O careca estava parado ali em frente do Hospital Universitário Onofre Lopes, com as mãos na cabeça e analisando o carro pra ver os danos. As meninas desesperadas nao paravam de ligar com seus telefones celulares pra parentes, e amigos, contando o que aconteceu. Pensavam ate que tinha sido uma tentativa de seqüestro frustrada.

Foi então que viram o carro do monstro se aproximando novamente. Dessa vez o careca molhou a cueca. Correu pra detrás do carro e se abaixou, mostrando o quanto era valente. Foi uma das meninas que ficou olhando pros dois supostos ladrões e disse:

- Eu conheço esses meninos de algum lugar.

Nesse instante, o careca criou coragem e se levantou. Ao constatar que se tratava de Maguinho, foi lá dizer que aquilo nao era brincadeira, que aquilo era uma sacanagem, que era uma coisa sem noção, coisa e tal.

Ele falava educadamente, mas a vontade dele era voar no pescoço de Maguinho e da-lhe um cacete, mas como o homem era faixa preta de jiu jitsu, o careca escolheu o caminho mais pacifico, mesmo sabendo que a carabina estava na mão do passageiro e nao na do motorista.

Mas o motorista ficou rindo, o que irritou o careca, pois nao conhecia o mesmo. Num ato continuo, foi ao lado do motorista e começou a agredir o rapaz, que pouco tinha a ver com o ocorrido.

Maguinho, como é outro filha da puta, ficou somente rindo da reação inesperada do careca e o monstro do pântano, também conhecido como papo de pelicano, ficava só se defendendo e chamando Maguinho pra socorre-lo.

Num gesto de valentia tardia, Marcio parou de agredir o rapaz, subiu as calças pelo cinto, bateu uma mão na outra e gritou pra harém que o acompanhava:

- Vamos embora que eu nao vou perder meu tempo com esse palhaço mais nao.

E saiu cheio de moral, ignorando totalmente o fato de que o monstro do pântano nada tinha feito e que o culpado de tudo era Maguinho. Com isso, pode-se perceber que o careca apesar de nao ter cabelo, tem juízo, e na frente das meninas levar uma trabucada já era demais, imagine então uma surra extra? Deu-se por vingado e foi contar a sua historia lá no Pittsburg, pra Batista e sua gangue.

Thursday, May 30, 2013

Semana Santa em Muriú

Logo no começo da minha amizade com a Família Guerreiro, o mais próximo de mim era Clóvis. Depois é que desenvolvi maior amizade com Bal, até porque tínhamos idade mais parecida.

Mas na primeira vez que cheguei na casa da família em Muriú, fui levado pelas mãos de Clóvis. Era semana santa e logo ao chegar soube porque o Seu Omar era tão falado na roda dos amigos.

Fui cumprimenta-lo e ele foi logo me perguntando: “Trouxe o que? Pergunto pois Luis Cláudio veio aqui e trouxe metade de um pacote de macarrão e três quartos de um frango pra passar o mês inteiro. Esperava que você tivesse trazido mais, mas não vejo nada nas suas mãos”.

Evidentemente que ele estava brincando, mas do jeito que falava, parecia estar bem sério e pior ainda quando o sujeito não conhece. Quando acontecia isso, Dona Regina sempre vinha em nosso socorro.

O feriado passou-se com tiradas como essa o tempo todo. Ninguém conseguia ficar sem dar risadas ao lado do Seu Omar. Eis que na hora de ir embora no domingo à tarde, pois ainda pretendíamos ir à domingueira da boate pool music hall , comandada pelo nosso amigo Bruno Mentirinha, Seu Omar ainda bebia e comia com seus convidados na varanda da casa.

Dona Regina, como sempre muito atenciosa, disse pra mim: “Meu filho, volte sempre, a casa é sua. Espero que tenha gostado.”

Seu Omar respondia, sem o menor constrangimento, na frente de umas dez pessoas convidadas dele: “Claro que ele gostou, Regina, o que você acha? Não trouxe nada e ainda teve tudo do bom e do melhor”.

Ela se fez de surda aos comentários do marido e continuou, maternalmente: “Venha cá me dá um beijo antes de ir”.

Aí foi demais pro Seu Omar, que levantou-se e berrou: “Assim é foda, o cara vem pra minha casa, come de graça, bebe de graça, e no final ainda vem beijar a minha mulher. Vá pra puta que pariu!!!”

Não é preciso dizer que ninguém se agüentou e eu não tinha lugar pra enfiar a minha cara.

Tuesday, May 28, 2013

Qual cinturão?

Como num ato de sadismo extremo, o seu Omar obrigava Bal a ir pegar o cinturão toda vez que ele julgava ser necessário dar uma surra nele. Em uma dessas noites de surra anunciada, Bal foi buscar o cinto pra apanhar.

Chegando ao quarto onde o cinturão estava pendurado, ele avistou um cinto felpudo de roupão e rapidamente imaginou que apanhar com o cinto fofo doeria menos. Não teve duvidas, agarrou o bicho e levou pro pai.

Seu Omar, ao avistar aquele cinto de roupão nas mãos do filho, não se conteve e começou a rir. Mas como era velha raposa, não podia perder a moral e sentenciou:

- “Vou lhe dar o direito de escolha por você ter se mostrado um sujeito inteligente. Você prefere 50 cintadas com esse cinto do roupão ou 10 com o cinturão de couro?”

Bal, sabendo que mesmo sendo fofinho, 50 laboradas não são fáceis e optou pelo velho método a qual estava acostumado. Foi destrocar os cintos e novamente foi dormir com couro quente, pois mesmo com a brincadeira, a punição não foi suspensa.

Thursday, May 23, 2013

Sem acenos

Outro dia, Eu e Bal estávamos andando pelas ruas de Morro Branco e nos deparamos com o Seu Omar, que passava sério e calado no gol branco da Secretária da Fazenda, pois o mesmo era fiscal de renda.

Ao avistar o pai, Bal acena, numa tentativa de fazer com que o pai acenasse de volta. Sem sucesso, ele começa a gritar, e mesmo assim não é correspondido. Alem dos gritos, ele começa a pular e mexer os braços, num gesto parecido com alguém que está se afogando.

Seu Omar que a tudo assistia impassível, somente acompanhou aquele triste espetáculo com a vista e foi embora, sem sequer dar um balançar de cabeça pra Bal.

Chegando em casa, Bal injuriado foi questionar o pai o porque dele não falar com ele na rua, queria saber se ele estava com raiva dele por algum motivo, que ele poderia se explicar pra atenuar a raiva do pai ou qualquer coisa assim.

Foi então que Seu Omar respondeu pra Bal numa lógica simples, comum somente aos gênios:

- Aníbal, eu falo com você toda hora em casa, porque haveria de falar também na rua? Quem você pensa que é, alguma estrela de Hollywood pra ter toda essa atenção?

Tuesday, May 21, 2013

Regina, é dado!!

Seu Omar Guerreiro, que Deus o tenha, era o pai dos três famosos irmãos, meus amigos Clovis, Guilherme e Aníbal. Um belo dia, Aníbal, mais conhecido como Bal, me convida pra almoçar na casa dele.

Ao chegar na mesa, o Seu Omar, já estava sentado na cabeceira comendo, sem muito dialogo com ninguém. Nos sentamos animados, conversando e rindo, e seu Omar parecia incomodado com o barulho, pois levantava a vista pra nos observar e balançava a cabeça toda vez que o barulho ultrapassava os decibéis estabelecidos por ele como suportável.

Eis que chega Dona Regina, a esposa do Seu Omar e pergunta o que iríamos comer. Dissemos que trouxesse qualquer coisa. Então, ela como sempre muito gentil e hospitaleira, pergunta se eu desejaria um bife à milanesa ou um bife normal, pois segundo ela, Guilherme não gostava de bife a milanesa e eu quisesse, ela prepararia um sem ser a milanesa, pois o que tinha pronto era a milanesa.

Eu insisti dizendo que trouxesse qualquer um, e que alem do mais, disse também que eu adorava bife à milanesa. Novamente ela insistiu na historia do bife, dizendo que se eu não gostasse, ela prepararia outro, que não daria trabalho algum.

Nesse instante, seu Omar que a tudo assistia calado, bate na mesa e diz a frase que ficou famosa:

- Regina, é dado, Regina, entrega qualquer tipo de bife pra esse filha da puta ai que ele não está pagando nada aqui!!!

Finalmente ela então trás o tal do bife a milanesa. Começamos a comer rápido, pois tínhamos alguma coisa pra fazer e não queríamos perder tempo. Olhando pro meu ritmo, seu Omar disse outra frase que foi motivo de riso durante muito tempo no meio da turma:

- Das Cachorras, coma devagar que a comida não vai fugir do prato, porra!!!

Esse era o Seu Omar. E essas foram as duas únicas frases que ele disse durante todo o dia. Isso é o que posso chamar de alguém que usa eficientemente o verbo. O melhor exemplo de otimização da comunicação oral. Poderia até dar aula na faculdade de administração e garanto que faria um sucesso tremendo.