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Monday, February 18, 2013

A lista dos governadores

Em uma dessas raras reuniões noturnas em frente à casa de Frederico, pois o mesmo não se sentia à vontade quando as reuniões eram na calçada de sua casa, conversávamos sobre um tópico qualquer, muito provavelmente uma fofoca, quando o seu Djesum interrompe a conversa e diz, quase que pulando e com o dedo em riste:

- “Vou dizer a vocês a lista de todos os governadores do Estado do Rio Grande do Norte, desde que o Brasil é república!”.

Mesmo diante do grande espanto por parte de todos, ele começa a sua lista. Ninguém prestava atenção à aula de história que estávamos recebendo gratuitamente, mas ele se mantinha fiel e recitava um por um.

Terminada a lista, todos resolveram ir pra casa, afinal já devia ser próximo das 11 da noite e o sono já estava batendo.

Lá pelas 11 e meia, Alexandre Pezão já se encontrava na cama pronto pra dormir. A campainha então começa a tocar, incessantemente. O pai dele, Bob Motta, foi até o portão saber quem era o insistente visitante, que insistia na cigarra em hora tão inoportuna.

Era o seu Djesum, que pedia pra falar com Pezão. Bob disse que o mesmo já devia estar dormindo, mas ante a insistência do homem, foi lá dentro chamar o filho. Quando Pezão finalmente chegou na calçada, encontrou seu Djesum esbaforido, nervoso e disse:

- Pezão, Pezão, Pezão, rapaz, eu esqueci de dizer o nome de dois governadores. Fulano e beltrano, que governaram o estado de tanto a tanto.

Pezão, mesmo puto por ter sido tirado da cama, e cagando pra quem tinha sido governador ou não, não poderia deixar de dar uma gargalhada do inusitado e evidentemente, foi telefonar pra todos pra espalhar o ocorrido.

Saturday, February 16, 2013

Seu Djesum e a Kombi

Essa história se passou durante os anos em que o seu Djesum, que vem a ser pai do nosso grande amigo e conceituado contador, Frederico Lemos, possuía uma Kombi de transporte escolar.

Reza a lenda que Seu Djesum sempre gostou muito de cumprir os horários e ficava bastante chateado com algum atraso por parte dos pais ou das próprias crianças, mesmo sendo um homem bastante afável e cordial.

Eis que um belo dia, um dos meninos tinha um trabalho a ser apresentado em uma feira de ciências e este trabalho possuía uma maquete, feita de isopor e com bonecos playmobil e casas também feitas de isopor, alem de alguns palitos e uns sinais de papel com algumas explicações sobre o trabalho.

Como a criança estava demorando demais pra entrar na Kombi, pois estava com medo de danificar a maquete, e procurava uma posição adequada, o seu Djesum disse pra ele ir no banco da frente logo de uma vez, pois ali tinha mais espaço e ele também não podia ficar ali esperando o dia todo.

O menino, com cuidado excessivo com a maquete, esqueceu-se de verificar se a porta estava fechada direito, o que também não foi verificado pelo motorista, que já tinha a primeira marcha engatada.

Partiu e tudo parecia bem, ate chegar no cruzamento da Xavier da Silveira com a Bernardo Vieira. Eles vinham na Xavier e entraram bruscamente na Bernardo Vieira, que vem a ser uma curva à esquerda e que possui um leve declínio, deixando o lado do passageiro abaixo do lado do motorista no momento em que procedem com a curva.

Nesse exato momento, a porta do passageiro se abre e o menino da maquete cai do carro, rolando, por sorte, num terreno baldio, que as vezes jogavam bola, de areia fofa e mato.

Os meninos da Kombi avisaram a Djesum que tinham um a menos à bordo, pois ate então ele continuava firme no seu propósito de chegar à tempo na escola e foi então que ele percebeu o acontecido. Deu marcha à ré, e observou a cena.

Com os olhos cheios de areia e tentando consertar o que restou do trabalho, o menino olhava pra Kombi, à espera de alguma ajuda. Em vez de ajudar o menino, o Seu Djesum, preocupado com o atraso, já com a primeira engatada novamente e segurando com as duas mãos no volante, grita a frase que o fez famoso:

- Vamos embora, féla da puta, não ta vendo que tu ta atrasando todo mundo, não? Fica ai sentado nessa porra em vez de entrar logo no carro!!!

Thursday, February 14, 2013

Um burro na praça e outro no asfalto

Ao chegarmos em Currais Novos após a virada, fomos tomar cerveja em umas barracas que estavam montadas em frente ao Hotel Tungstênio. Pra animar mais ainda a brincadeira, jogávamos dominó, na modalidade conhecida como “burrinho”, onde se começa com três pedras e vai aumentando na medida em que se perde, se transformando no “Burro” quem atingir a quantidade de oito pedras primeiro, isto é, ter sete nas mãos e perder mais uma vez.

Quem perde, tem que imitar um burro, rinchando e dando coice, numa circuito a ser combinado previamente. Nessa seqüência, o nosso querido amigo Flávio Xingu foi o burro e deu um show.

Rinchou, deu coices, bufou, balançou a cabeça, empinou com as mãos fingindo estar segurando uma rédeas imaginarias, tudo isso em frente às moiçolas da cidade, que todas arrumadas e perfumadas desfilavam na área. Acredito que não teve uma pessoa naquela cidade que não caiu na gargalhada com a performance do grande índio.

Depois desse sucesso estrondoso, fomos pra casa do Rodrigo pra tomarmos um bom banho e irmos pra noite. Xingu estava possesso, pois tinha sido o único burro a perder e queria uma revanche a todo custo. Não conseguiu e conformou-se.

Fomos pra festa e quando voltamos, já passava das sete da manhã e ninguém se agüentava em pé. Todos se organizaram pra dormir, menos Xingu, que teimava em continuar acordado.

Como não arranjou companheiro pra cachaça que queria tomar a tomar, e como estava roendo mais do que o maior dos ratos, sentou à soleira da porta da frente da casa e ficou soltando pequenos galanteios pras pessoas que por ali transitavam, entre uma dose de whisky e outra.

- Ei, minha filha, você ta muito bonita hoje, dizia ele pra uma. “Meu senhor, vá devagar pra não cair”, dizia pra outro. “Minha senhora, se eu fosse você, não acordava tão cedo”, aconselhava outra. Ele dizia algo e caia na gargalhada sozinho, antes mesmo de terminar a frase, completamente embriagado.

A galera dentro da casa já não agüentava mais, todos queriam dormir e não podiam devido as gracinhas do índio. Quando pensávamos que o pior havia passado, Xingu resolve começar a cantar.

Márcio Careca então dá um grito, dizendo:

- Porra, Xingu, vai dormir caralho, seu corno de uma porra.

Nisso, Xingu, que nesse momento cantava um samba de Noel chamado O Gago Apaixonado, que ele conheceu através da gravação de Moreira da Silva e que cantávamos juntos todos vez que estávamos bêbados, não perdeu tempo:

- Eu tenho um amigo que não usa cueca, o nome dele é má-má-má-má-má-má-má Márcio careca!!!

Ninguém agüentou mais a fuleiragem do índio e estouramos na gargalhada. Ninguém dormiu mais. Ficamos ali conversando e resolvemos ir tomar café da manhã no hotel que fica situado no topo do açude Gargalheiras. Chegamos lá já eram umas onze da manhã e pra nossa surpresa, estava recheado com as mais belas representantes da sociedade natalense da época.

Era inacreditável o numero de beldades. Logo se começou outro jogo de burro e o perdedor, teria que sair da nossa mesa, descer as escadas, tocar em um dos carros, e voltar subindo as escadas ate sentar-se novamente à nossa mesa, tudo isso rinchando e dando coices.

Pro meu azar, o perdedor fui eu. Era vergonhoso demais. Neguei-me a ir, e iniciou-se uma discussão ferrenha entre dois grupos, os que apoiavam a minha ida e os que defendiam ser demais.

Xingu, que havia sido o palhaço da noite anterior e muito meu amigo, apoiou a minha decisão, o que me deu um grande respaldo. Márcio Careca estava indignado. Ele queria me ver malhado total.

Combinamos então que eu poderia dar meus trotes de burro na estrada que liga Acari à Currais Novos. Mas que a distancia tinha que ser grande. O triplo do tamanho. Topei e chegando lá, paramos os carros e marcamos uma arvore bem distante pra ser o meio do percurso. Iria ate a arvore e voltava, rinchando, dando coices, e com uma na frente segurando uma rédea imaginaria e outra dando tapas na minha própria bunda, pra incentivar o burro a correr mais.

Quando eu me meti a correr, só escuto um buzinaço e uma gritaria. Todo mundo saiu do restaurante ao mesmo tempo e todas as meninas que lá estavam, agora gritavam e riam daquele sujeito se fazendo de burro. Diminuíram a velocidade e foram me acompanhando ate a arvore. Fechei os olhos e continuei bravamente, debaixo de muito barulho.

Quando finalmente estava no meu caminho de volta, enxergo ao longe os seis galados rolando no chão de tanto rir. E eu vendo, pelo canto do olho, aqueles carros todos devagar, acenando, pulando e gritando, não pensei duas vezes: dei uma ultima rinchada gloriosa e uma arrancada que só parou dentro do carro do Careca, ainda escutando o burburinho da massa.

Thursday, January 31, 2013

Semana nada santa

Em um desses feriados de Páscoa, resolvemos partir em viagem à cidade de Currais Novos, pois alguém tinha a informação de que a festa naquela localidade iria pegar fogo naquele final de semana prolongado. A caravana era formada por mim e o magro Schiavo, numa pick-up LX da Fiat.

No seu famoso gol branco, ia Márcio Careca, Flávio Xingu e um colega chamado Rodrigo, que não sei o seu sobrenome, só sei que o pai dele chama-se Lúcio Flávio, pois o mesmo fez questão de me lembrar umas 20 vezes durante esta viagem. No guerreiro Escort Hobby de cor vinho, iam Staine Funil e o nosso saudoso Geraldo Segundo.

Cada tripulação, inconseqüentemente, providenciou um isopor, encheu de gelo e cerveja e partiu com direção ao Seridó. O magro Schiavo, metido a piloto, dirigia com velocidade mínima de 170 km/h.

Ele não contava com uma curva traiçoeira, já bem próxima do destino, que fingia ser aberta mas que no final se fechava todinha. Nessa hora da curva vínhamos com 180km/h, pois pra completar ainda mais a desgraça, antes da curva ainda tinha uma ladeira descendo, uma pontezinha e uma ladeira subindo, o que fez com que o carro praticamente decolasse.

Dessa forma, o magro achou a curva aberta o suficiente e não aliviou o pé. Nessa hora, comecei a frear o carro imaginariamente e segurar no dispositivo de segurança mais fiel de qualquer carro, o "eita porra", aquele gancho que tem no teto e que serve pro passageiro se segurar em alguma coisa em caso de perigo eminente, uma vez que o motorista tem o volante pra tal propósito.

Como eu disse, o magro não contou com a curva acabando de repente e se transformando em reta, quase que em noventa graus.

A sua tentativa foi válida, porem ineficaz. Tínhamos que virar à direita e como o carro começou a derrapar de dentro da fora, ele tentou encontrar a tangencia indo ao máximo pra esquerda, na contra-mão.

Pro nosso azar, a traseira da pick-up encontrou a parte do acostamento que continha pedregulhos e não se segurou, pois era leve e isso fez com que nós começássemos a dar cavalos de pau em plena estrada.

Em um desses, a traseira atinge o meio fio do lado direito e lá fomos nós ribanceira abaixo, com o automóvel virando de costas e não de lado, como de costume. Ha controvérsias quanto ao numero de vezes que capotamos, mas a sensação era de estarmos dentro de uma maquina de lavar. O carro caiu de cabeça pra cima, lá em baixo. E eu continuava agarrado ao "eita porra".

A musica que tocava na hora do acidente era uma do grupo de pagode Molejo, e dizia assim: "Trás a caçamba, trás a caçamba, que o samba taí..." E ela também continuava tocando no momento da aterrissagem. O que me fez pensar, entre mortos e feridos: "Caçamba, um caralho!!!".
A cena era dantesca. O magro agarrado ainda ao volante, com os dois braços esticados, duvidando estar vivo e suspeitando estar morto, olha pra mim e pergunta:

- Cachorras, tudo bem com você?

Como se alguém pudesse estar bem depois de uma situação daquelas. Eu, virei meu pescoço aos poucos, achando também estar morto, e respondi que sim, que só havia perdido os meus óculos e tive uns pequenos cortes provenientes de algum vidro que quebrou.

O milagre foi tão grande que o teto formava o molde exato das nossas cabeças. Com sacrifício, abrimos as portas e saímos, sem saber onde era a estrada ou onde era o inferno. Eu apostei que a estrada era pra um lado e o magro apontou pro outro. Eu, mesmo cego, acertei e comecei a subir correndo a ribanceira, que diga-se de passagem, era quase a metade do tamanho do Morro do Careca.

Só pra se ter uma idéia de como vínhamos rápido, somente na hora que atingi o asfalto era que Marcio Careca vinha passando. Comecei a pular para chamar sua atenção, o que deu certo.

Ele não viu Schiavo de imediato, pois o mesmo tinha saído em outro ponto da montanha. Quando o Careca viu o estado do carro, pensou que o magro não tinha escapado. Nervoso, começou a perguntar:

- Rapaz, cadê o magrão? Meu irmão, nem me fale uma coisa dessas. Puta que pariu. Olhe o estado do carro. Como você se safou, bicho?

E me abraçava, nervoso. Nessa hora aparece o magrão. Que também foi abraçado. E ficamos todos em silencio por um momento, contemplando o estrago e tentando imaginar como havíamos saído daquela inteiros.

Ao ver a movimentação, Staine e Segundo também estacionam e repetem a mesma cena protagonizada pelos componentes do careca-móvel.

Em menos de cinco minutos, já estavam por ali curiosos, Policia Rodoviária e um jornalista, representante de uma rádio de Currais Novos. O fuzuê estava formado. Nesse momento, resolvo me sentar no banco do passageiro do carro de Marcio, pra dar uma descansada.

Aí o presepeiro do Márcio me aparece com o jornalista, que com o microfone na mão, solicitava um depoimento para a rádio. Por trás dele, o careca se segurando pra nao estourar, dizia: "Ele estava no carro sim, fale com ele, ele é gente boa". E comecou a rinchar.

O incauto jornalista então começa a me fazer perguntas e eu, falando no microfone, vi o careca se abaixando ao lado do jornalista, que estava em pé, apoiado na janela do carro com os cotovelos. Disfarçadamente, cheguei mais perto da porta e olhei pra baixo, pois já suspeitava da atitude do meliante.

O careca abaixa as calças e manda "um barro" bem próximo aos pés do jornalista, que mesmo sentindo odor tão desagradável, continuava firme no seu objetivo profissional, só coçando o nariz as vezes.

Eu não consegui mais terminar a entrevista, de tanto que ria. O jornalista aborrecido se afastou e foi procurar Schiavo.

Como o castigo vem à cavalo, Marcio, que havia se afastado momentaneamente, esquece da sua obra e vem falar comigo, que de tão cansado nem sentia cheiro algum.

- Ei, Cachorra, tu não pode dormir não, viu? Não pode apagar, se não, tu nunca mais acorda. Porque se tu tiver levado uma pancada na cabeça, ninguém sabe.... PUTA QUE PARIU!!!!!
Gritou o Careca, me assustando profundamente.

- O que foi? Pergunto eu, assombrado.

- Acabo de pisar com os dois pés no monte de merda que tinha aqui no chão. ISSO É UMA PORRA!!!!
Ele gritava no meio de todos que ali estavam. E quando alguém olhava pra ele, com expressão de espanto, ele berrava:

- É MERDA, MEU FILHO, NUNCA VIU NAO? MERDA!!!

E saiu arrastando os pés no asfalto pra ver se conseguia limpar, espalhando o perfume por entre os curiosos, que aos poucos foram tirando o time de campo. Durante esses acontecimentos, o carro ficou lá embaixo sozinho por um tempo.

Quando descemos novamente pra olhar de perto o estrago causado, uns fantasmas habitantes da floresta que cercava a estrada, já haviam depenado todos os acessórios do carro.

E como não havia mais o que fazer, continuamos a nossa viagem, agora em dois carros somente, pra terminar a nossa aventura que acabava de começar.

Wednesday, January 30, 2013

O magão endiabrado

Após uma farra enorme, que terminamos de manhã no Bar e Restaurante Viver, situado em frente à Pittsburg da Prudente de Morais, e que era da propriedade de um primo da minha mãe, Miguel Ângelo, eu, Schiavo Álvares (Magrão), Augusto Benfica (Coringa) e Staine Darlan, fomos pra minha casa, contentes com a quantidade de bebida ingerida naquela noite. Ficamos na calçada por um tempo, até que entrei pra beber água. Na cozinha, percebi uma bandeja que meu pai havia comprado com 30 ovos. Quando voltei pra calçada, já estava com a tal bandeja nas mãos. Não precisei dizer nada.

Schiavo ofereceu o seu carro pra operação e tratou de pegar um pincel atômico preto que carregava no porta-luvas e começou a desenhar outros números por cima dos números originais da placa do carro. Sentei-me no banco da frente, com Staine e Augusto no banco de trás. Cada um já tinha um ovo na mão. O primeiro sortudo foi um cara que já não estava com muita sorte. Tinha o seu carro, um fusca cor de laranja, quebrado e a tampa do motor, que fica situado na parte de trás do veículo, aberta.

O sujeito olhava pra dentro do motor, pensando que apenas olhando ele iria fazer o carro andar novamente, quando de repente, um ovo bate na polia da correia dentada e espirra todo o seu conteúdo mal cheiroso na sua face, pois a sua cara estava praticamente dentro do motor. Foi um tiro digno de um sniper. Num movimento sincronizado, dois outros ovos atingiram o inocente cidadão, um batendo na sua cabeça e outro no pescoço, quando o mesmo se virava pra tentar entender o que estava acontecendo.

Há quem diga que Deus ajuda a quem cedo madruga. O menino que vendia jornal no semáforo pode ser prova cabal que esse ditado é curtíssimo. Num ato de maldade fora do comum, perguntamos ao menino se ele queria ovo. Ele disse que não estava escutando. Falei pra chegar mais perto. Quando este se aproximou, pensando que eu havia dito que queria comprar um exemplar do jornal, eu avisei que estava jogando um ovo e joguei o ovo nos peitos do jovem trabalhador. Foi nessa hora que começou o trabalho divino.

O ovo bateu na bata que o jovem vestia com o nome do jornal, bem no meio da caixa torácica e milagrosamente, não estourou nele e caiu no chão. Sem acreditar no que estavam vendo, na mesma hora, Staine e Augusto resolveram pegar cada um seu ovo pra jogar no menino santo. Eis que novamente o improvável aconteceu. Na euforia de alvejar o jornaleiro, e assim como devido ao alto estado de embriaguez, eles foram pra mesma janela e no frenesi, quebraram os dois ovos que carregavam em cima deles e do banco do carro do magrão.

Fomos embora dali depressa, antes que o carro pegasse fogo. Rodamos procurando outro alvo potencial, até que chegamos no cruzamento da Bernardo Vieira com a Prudente de Morais, vindo pela Bernardo em direção à Morro Branco. O magrão embriagado para o carro ao lado de uma besta de transporte coletivo. Devia ter uns 6 caras lá dentro, contando com o motorista e o cobrador. Nós estamos na faixa da direita, e a besta na faixa do meio. O Magra, numa atitude que não foi comunicada à nosotros, abaixou o vidro do lado do motorista e fez sinal para que o cobrador abaixasse o vidro da besta, como se estivesse querendo falar algo. O cobrador abriu o vidro e ficou na espera do que o magrão tinha pra dizer. E ele disse:

- "Ai nessa besta só tem fresco e viado, começando por você, passando por todo mundo e terminando no motorista".

O cara perguntou, como se não tivesse acreditando: "Como é que é, rapaz?"

O magrão respondeu, dessa vez mais alto e já não se agüentando de tanto rir:

- "Isso mesmo que você ouviu, seu fresco, aí só tem corno, viado arrombado..."

Antes de ele terminar de falar, eu só vi as portas da besta se abrindo e descendo os caras dispostos a matar o magrão e quem estivesse junto com ele naquela sandice. O Magrão queria dobrar à direita pra entrar na Prudente e fugir, mas os poucos carros que estavam rodando na cidade naquela hora resolveram passar ali naquele trecho, naquele momento. Uma tapa ainda bateu no vidro, quando finalmente ele conseguiu fugir pela Prudente. Quando os sujeitos voltaram pra besta, nós já estávamos longe.

Decidimos que a brincadeira estava indo longe demais e resolvemos ir pra casa. Em Morro Branco, já ali perto do Edifício Michelle, estava um feliz proprietário de uma Hilux preta, um senhor já de idade, que lavava alegremente o seu brinquedo, desperdiçando a água do planeta. Novamente não foi preciso dizer nada. O magrão estacionou o carro numa distancia segura e até ele dessa vez quis participar da brincadeira, porque até então ele só fazia dirigir o carro.

Todos os ovos foram indo um a um, pra Hilux do senhor, que com medo de ser também melado pelo ovos, não chegava nem perto do carro. A única reação dele era gritar e ameaçar os atiradores de elite. Quando os ovos acabaram, largamos a bandeja por lá e debandamos. Fui conseguir dormir somente umas três horas apos chegar na cama, de tanto que ria me lembrando das vitimas.

Meu pai acordou e veio me questionar pelo ovos, que eu avisei de pronto que desconhecia o paradeiro dos mesmos. Disse que quando cheguei em casa, não vi nenhum ovo. Que acho que ele estava caducando, pois pensara ter comprado algo e não o fez. Ele saiu coçando a cabeça.

A punição divina veio mesmo pra cima do Magrão, afinal foi ele quem forneceu o veículo pra praticar o mal. Na segunda-feira de manhã, chega uma viatura da polícia na oficina dele, juntamente com um reboque, para guinchar o veiculo causador da baderna. Apos uma "bola" de 50 reais, que era uma boa grana naquela época, o carro do magrão foi aliviado e ele liga pra mim, conta o que houve e puto da vida pergunta:

"Cachorra, viado, como esses frescos descobriram o numero da placa do meu carro? Estavam todos adulterados. Como eles iriam descobrir que os números eram diferentes e tantas combinações são possíveis com aqueles números, como descobriram a placa direitinho?"

Foi ai que eu falei pra ele: "Magrão, aquele jornaleiro tinha poderes sobrenaturais, rapaz. Você não viu o ovo que joguei nele e o ovo bateu catolé? Staine e Augusto foram jogar o ovo nele e os ovos estouraram em cima deles? E o moleque nem se mexeu e nem ficou com medo. Ficou parado, só observando. Eu digo a você que ele tem poderes tão fortes que ele consegue ate vender a Tribuna do Norte".

Monday, January 28, 2013

Joab Valente

Para irmos pra essa viagem de Fortaleza, o centro acadêmico de administração se encarregou de alugar um ônibus e colher o dinheiro das inscrições de todos os interessados na viagem e no congresso. Durante esse período, o presidente do centro era o grande Eduardo Barros, o nosso querido Dudu.

Meus amigos Gustavo Zumel e Gustavo Sousa decidiram não ir no ônibus e foram de carro, juntamente com outros amigos, as irmãs Sheila e Karina e Augusto (namorado de Karina), estes dois últimos sendo alunos de administração da UNP.

No segundo dia de congresso, Dudu se ausentou do comando da excursão, por motivo de visita à familiares e passou o comando da turma pro nosso grande Joab, que era o vice-presidente do centro acadêmico.

O ônibus tinha que sair do alojamento pontualmente às 19:30, tendo em vista que a palestra começava às 20:00. Ao contrário de nós, existiam pessoas que estavam realmente interessadas em assistir às palestras.

Joab também fazia parte da turma da cachaça, e chegando perto das seis da tarde, Everton, um aluno que estava interessado na palestra e era muito correto, oriundo do NPOR, lançou sua primeira diretiva pra Joab.

- “Joab, rapaz, vai tomar banho e se arrumar pra dar exemplo, senão ninguém vai ficar pronto à tempo e nós iremos perder a hora da palestra”.
Joab respondeu que já estava indo, mas quando Everton saiu, eu questionei Joab:

- “Joab, esse bicho é teu chefe, é? Vem aqui e caga regra pra tu e tu fica calado?”

O gago entendeu bem o meu recado e disse:

- “É mesmo, né? Quem essa porra pensa que é? Eu não vou tomar banho agora não”

Pronto, a semente tinha sido plantada. Agora era só incentivar mais pra turma ter mais uma sessão de comedia.

A cena era a seguinte. Todo mundo se aprontando pra ir pra palestra, e eu, Joab, os dois Gustavos, Beto, e Marcos Rapariga sentados no chão, bebendo, ao lado do mini trio elétrico, que foi construído somente para esse intuito.

Deu seis e quinze e lá vem Everton pedir pra Joab se arrumar novamente. Quando ele saía, a galera da cerveja questionava Joab, que já estava ficando puto. Ficamos segurando Joab até perto das sete da noite, quando outras pessoas começaram a vir chamá-lo também e ele não teve escolhas, devido ao grande numero de irritados.

Se aprontou rápido e lá pelas 7 e 10 já estava pronto, sentado com a gente tomando cerveja de novo. Everton chegou e disse, dessa vez pra mim:

- “Das Cachorras, tu vai ficar viu? Ninguém aqui vai ficar esperando por tu não. Ou você se arruma ou vai ficar!”, ameaçou o rapaz, que pensava ser o chefe da excursão.

Eu falei pra Joab, “Meu irmão, tu vai deixar esse bicho tomar as rédeas, é? Quem manda nessa porra, tu ou ele?”

Isso mexeu com os brios do gago. Ficamos nessa confusão até às 7 e meia, hora que o ônibus supostamente era pra sair. Calmamente, dei o meu ultime gole na cerveja, peguei minha toalha e me encaminhei pro local onde tomávamos banho, uma torneira de mangueira de aguar a grama.

Antes de sair, olhei pra Joab e vaticinei: “Tu me espera, hein viado? Tu me espera!!!”

A galera toda já estava dentro do ônibus e eu fazendo tudo bem devagar, de propósito. Quando eu volto pra sala onde era o nosso quarto, Everton estava vermelho, discutindo com Joab, que também já estava se alterando. Eu fiquei com a minha nécessaire na mão, só de bermuda, observando a cena, o que irritou ainda mais o Everton.

Eu deixei claro pra Joab que me esperasse, que Everton não mandava em porra nenhuma, afinal Dudu tinha pedido a ele pra ser o responsável alem do que, ele era o vice-presidente e Everton não era porra nenhuma.

No agüentando mais a pressão, Joab vai pro ônibus e me espera lá. A cena final foi digna de um Oscar. Cada janela do ônibus tinha um estudante insatisfeito e gritando nomes de baixo calão contra a minha pessoa. Faltava uns dez minutos para as oito da noite e eu fui me encaminhando pro ônibus.

Joab estava na porta, talvez para não ser linchado se estivesse dentro, e abre os braços pra mim, dizendo: “Rapaz, não tava mais conseguindo segurar essa galera não. Ainda bem que tu chegou. Vamos embora”.

Diante de nomes como filha da puta, corno, e viado, eu caminhava pro ônibus. Dirigi-me pra turma das janelas e perguntei, com cara de puta: “Vocês estão chamando esses nomes todos comigo? Qual o motivo? Eu pedi pra alguém me esperar? Eu vou de carro com Gustavo, não sei porque vocês ainda estão aqui!!!”

Disse isso e calmamente entrei no carro de Gustavo, olhando pra cara de perplexidade de Joab, e dando um xauzinho. O que esse gago escutou dentro desse ônibus, tem gente que viveu 90 anos e não escutou nem um terço.

Friday, January 25, 2013

Joab sem teto

Ainda no mesmo Congresso em Fortaleza, aprontamos outra com Joab. Quando o mesmo adormeceu embriagado, resolvemos colocá-lo no meio do pátio, que ficava no meio de várias salas de aula, que abrigavam várias delegações de Estados diferentes.

O gago tinha um sono pesado infernal e na tentativa de deixá-lo mais confortável, resolvemos levá-lo com colchão e tudo. Mas logo que saímos da porta, de tanto rir, Marcos Rapariga deixa o lado do colchao que carregava escorregar e lá vai o gago pro chao, de cara. Nao fiquei pra ver, mas tudo indicava que o mesmo havia quebrado pelo menos o nariz, pois a altura em que carregavamos o colchao era de pelo menos meio metro.

Nos escondemos e esperamos ele se levantar puto. Que nada. O homem só fez passar a perna em cima do colchao, se aninhando e voltou a dormir de novo, somente com a velha sunga azul fluorescente. Resolvemos continuar com a via crucis e levar o defunto pro pátio. No meio do caminho, um engraçadinho achando graça da primeira queda do gago, resolveu soltar o colchao de proposito e novamente lá vai o cadaver pro chao. E isso se repetiu ainda mais umas 3 vezes até o destino final, com o atenuante de que as quedas agora eram na areia, que apesar de serem mais macias, enchiam a cara do presunto de areia.

Fomos dormir e deixamos o morto lá no meio do terreiro, entre maconheiros e moças de familia. Como tambem estavamos em avançado estado de embriaguez, todo mundo adormeceu e se esqueceu de Joab. Um individuo da nossa delegação, que nao havia bebido, levantou-se cedo e avistando aquela cena grotesca, correu para acordar a galera. Todos pularam dos colchões e correram pra observar aquele triste espetaculo.

Devia ter umas cinquenta pessoas ao redor do rapaz, todas morrendo de rir. Joab e sua sunga, em posicao fetal, todo suado devido ao forte sol cearense, os oculos todo torto, a cara cheia de areia, babando e com uma mao na cabeça e outra no meio das pernas. E o desgraçado ainda roncava alto. A galera gritava: "Acorda, acorda!!!", e o gago rolava pro outro lado. Nós estavamos escondidos, evidentemente. Então quando ele acordou, como se nada tivesse acontecendo, e ainda na posição em que estava deitado, olhou de lado por cima do ombro e deu um sorriso que mesmo sem dizer nada, perguntava claramente: "que porra é essa? onde estou?".

Elegantemente, com um risinho no canto dos lábios, ajeitou os óculos, limpou o suor da testa com as costas das mãos, assoou a areia que entrava nas suas fuças e cuspiu tambem a areia que estava na sua boca, ajeitou a sunga, que nessa hora adentrava na bunda, parou novamente, deu uma olhada ao redor, outra risada, dessa vez mais forte, abaixou-se deixando sua retaguarda amplamente desprotegida, levantou o colchão, sacudiu a areia que nele estava, colocou o mesmo embaixo do braço e se retirou de cena debaixo de aplausos, caminhando lentamente por uns segundos e logo em seguida engatando um sprint pra dentro do quarto, em tempo de cair tropeçando no colchão, que teimava em atrapalhar sua corrida.