Se a intenção do trote é prejudicar ou arranhar a imagem ou apenas sacanear com o troteado, esse trote que aplicamos em Gustavo Zumel saiu pela culatra e o mesmo ganhou como se fosse um premio na loteria, inteiramente dentro de sua inocência.Quando viemos pro Canadá no final de 1999, Zumel ainda não possuía um endereço eletrônico, de tão primitivo que era. Pediu-me então pra que eu criasse uma conta de e-mail, para que o mesmo pudesse se comunicar com a família e com uma rapariga que ele mantinha em Natal.
Criei uma conta pro rapaz no Hotmail e avisei que havia criado uma senha, mas que pra sua própria privacidade, ele deveria troca-la o mais rápido possível, criando uma senha que eu não conhecesse.
Após três meses fazendo curso intensivo de francês em Montréal, voltamos pro Brasil pra completarmos o ultimo semestre da faculdade. Foi nesse momento que comentei com Gustavo Sousa (O Boi Tungão) que havia criado um e-mail pra Zumel e ele me pergunta se ainda tenho a senha. Eu disse que sim e testamos. Voilá, Zumel não havia alterado a senha.
Na UFRN, existia uma jovem senhora, casada, com a bunda muito grande, que era adorada por Zumel e pelos demais estudantes. Mas, por ser casada, ninguém se atrevia a um contato mais direto com a moça. Éramos uns puritanos.
Nem tanto, pois descobrimos o e-mail dela e com a senha de Zumel em mãos, mandamos um e-mail pra moça, se passando por ele. Era um e-mail frio, inicial, mas que demonstrava um pouco as intenções dele para com ela. Dizia que a admirava, que ela era linda e que sempre havia respeitado pois ela era casada e blá blá blá.
Ela mostrou-se surpresa, mas não repudiou o e-mail do galã. Alegou que nunca esperava uma mensagem daquela vindo dele, mas aparentou ter gostado do elogio e da cantada.
Ah, também existia um detalhe que foi fundamental pro sucesso do plano. Zumel não tinha computador em casa e logo que recebíamos uma resposta dela, corríamos logo pra apagar o que ela havia escrito, pois assim se o Mané entrasse no e-mail por acaso, nada iria ver.
No decorrer de duas semanas, os e-mails já haviam se tornado correspondências eróticas e detalhes do que iriam fazer quando se encontrassem. A gente não se agüentava.
O mais comédia de tudo era quando estávamos todos juntos nos corredores e ficávamos observando a jovem olhando pra Zumel com ar de sacana e Zumel sem desconfiar de nada, chegava pra gente e dizia:
- “Meu irmão, essa bicha ta só rindo pra mim, que porra é essa?”
E a gente não se agüentava e dizia pra ele que ela só podia estar paquerando com ele.
Mas a conversa do e-mail ficou tão quente que chegou ao ponto que tivemos que dizer a menina que Zumel tinha que comer ela naquela noite, que já não agüentava mais. Marcamos então um encontro numa lanchonete às sete da noite, pra irmos direto pro motel.
Aí chegamos pra Zumel naquele dia de tarde e dissemos:
- “Ei Zumel, tu vai fazer o que hoje a noite? Faz um favor pra gente, come ali uma doidinha que a gente organizou pra tu. Mas tu ta devendo 100 reais pra cada, ok?”
Ele com cara de anus, perguntou o que estava havendo. O bicho é tão doido que sem questionar, diz, com cara de glutão: “Mas homi...”, e entra no carro e vai ao encontro da jovem, que manteve um caso amoroso com o Don Juan e até hoje nunca desconfiou que quem foram os conquistadores foram eu e Gustavo. Essa foi a primeira vez na historia que eu servi de cupido, quando na verdade eu estava com intenção de ver ao menos uma tapa na cara de Zumel, em plena luz do dia na UFRN.
Mas como os amores de hoje em dia são assim, terminamos como rufiões e propagadores do adultério. Zumel até hoje se vangloria e provavelmente nunca alterou a senha do e-mail, que deu muita sorte pra ele.
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