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Sunday, April 5, 2015

Corre pra cá, corre pra lá

Os foliões Denis Zambon, Barreto Neto e Alex Padang foram curtir o FestVerão na nossa tão famigerada Moscou City. Após o término da folia, foram lanchar no Skate Lanches. Entre uma dentada e outra, passa um sujeito em uma camionete e bate no carro de Padang. Sem parar para resolver a bronca, decide fugir do local da colisão. Os três foliões, embuídos de uma vontade de fazer justiça, partem na perseguição do elemento.
O mesmo vendo que estava sendo perseguido, ruma pra sua residência, em uma fuga frenética. Chegou primeiro do que os três mosqueteiros, lógico, deixou o carro lá fora e correu pra dentro, pegou o seu revolver e já sai atirando. Denis e Barreto tinham descido pra tocar na campainha e tirar satisfações com o cara. Barreto, malandrão de Ponta Negra e Denis oficial da Reserva do NPOR foram falar com o cara. E Padang que não era nada disso, ficou esperando no carro. Ele atirou no carro algumas vezes e Padang foi embora pra não morrer, deixando os dois lá.
Quando ele olha pro lado, está Denis e Barreto na calçada, ao lado do portão. E ele pergunta: “E vocês?”, e começa a atirar nos dois, arrodeando o carro dele. Entao Denis parou de correr, já não aguentava mais e ele disse:
- “Eu vou matar vocês, vocês estavam me perseguindo!”.
Denis argumentou que não, não estavam perseguindo, estavam apenas querendo conversar com ele, pois ele havia batido no carro deles e tinha saído sem resolver. O cara estava tão louco, que nem lembrava que tinha batido em carro algum. O revólver dele tinha mira à laser e quando ele mirava em Barreto, o mesmo em vez de sair da mira, pular ou se esconder, ficava batendo no proprio corpo, tentando espantar a luzinha, como se ela fosse um inseto.
Denis não sabia se ria ou se corria. Nesse momento, a mãe do rapaz apareceu e pediu que ele parasse com aquilo, que iria acabar a vida dele e ele atirou novamente, na direção da mãe. Quando se voltou pra Denis, deu outro tiro, mas tinham acabado as balas. Então sem munição, o indivíduo corre pra dentro de casa e solta um Rottweiler em cima dos dois.
O medo salva. Barreto Neto, devido ao susto que havia levado, enxergando a morte bem de perto, não se aguentou e obrou nas próprias calças. O cachorro não gostou do mal cheiro e saiu de perto de Barreto, e passou a atacar Denis, que se protegia como podia, dos ataques do animal. Padang então nesse momento retorna pra buscar os caras, sem saber se estavam vivos ou não, e os mesmos pulam dentro do carro de Padang.
O sujeito não satisfeito, parte na perseguição deles. Parecia aqueles desenhos animados, onde se vê um carro perseguindo outro e por uma razão qualquer, o perseguido passa a ser o perseguidor. Nesse caso a razão era bala. Entao eles vao pra um posto da Policia Rodivária Federal, pra tentar escapar. Uma vez lá dentro, o policial não conseguia identificar de onde vinha aquele fedor.
Os três dando o depoimento e o policial incomodado com a catinga. Não conseguia escrever uma linha, e parava novamente. Mandou todo mundo olhar os sapatos, pra ver se não tinham pisado em merda, cheirava o sovaco, soprava na mao pra ver se tava com bafo. Foi quando identificaram umas moscas perto da bunda de Barreto e o mesmo teve que se entregar.
Barreto quando tá nervoso, ele fala a mesma coisa umas seis ou sete vezes seguidas. A cigarreira, a cigarreira, a cigarreira, a cigarreira, a cigarreira…
Ele disse, com essa gaguejada típica dele, branco e suando:
- Doutor, fique com raiva não, doutor, se fosse o senhor também teria se cagado, era mira a laser, doutor, ele botava ela nos meus peitos, doutor, pense numa resenha, pense num medo, pense numa mira, doutor, vermelhinha nos meus peitos, doutor…

Saturday, May 24, 2014

Dificuldade de diálogo

Quando me mudei de Montreal pra Toronto em meados de 2004, fui trabalhar numa empresa chamada North Moving and Cartage, de propriedade de um senhor português chamado Manuel Pinto. Essa empresa tinha um contrato com um grande empresa que vendia eletrodomésticos e o nosso trabalho era entregar esses eletrodomésticos, na maioria geladeiras, fogões, máquinas de lavar e secar e máquinas de lavar louça.

Lá eu comecei como ajudante e cheguei ao prestigioso cargo de motorista de caminhão. Como ajudante, tínhamos que ligar pros clientes, avisando a hora em que chegaríamos às suas casas, alem de falar no rádio com a central e olhar o caminho a ser feito em mapas nos nossos colos, pois naquela época ninguém tinha aparelho de GPS.

Pra minha sorte ou azar, eu havia entrado no lugar do Paulo, um angolano que havia machucado seriamente a mão durante um trabalho. Paulo falava português e inglês e era o elo de ligação do Zé Sobrinho com o mundo exterior. O Zé Sobrinho, ou Zé Cigarro, como era conhecido na malta, era um motorista português, de voz rouca e abafada pelo uso incessante do cigarro, que não era muito adepto à conversa e era dado a raríssimos risos.

No primeiro, não trocamos uma só palavra. Mas aos decorrer dos dias seguintes, eu obtive umas 5 palavras durante o dia inteiro. Nesse ambiente pouco amistoso, fazíamos o nosso trabalho. Eu pouco entendia o que ele dizia quando resolvia falar, pois alem do sotaque português do interior, ele ainda tinha o problema da voz rouca, que impossibilitava qualquer compreensão.

Existia uma eletrodoméstico que era odiado por todos, se tratava de uma maquina de lavar que vinha acoplada a uma maquina de secar, uma em cima da outra. Nós odiávamos pois alem de muito pesada, ainda era péssima de carregar, devido ao seu formato. Tínhamos que colocar umas cordas por debaixo da mesma e colocar o peso em cima de quem vai na frente, quase que inclinando e deitando peso em cima dele.

Analisando os papeis, vi que tínhamos uma peça dessas pra ser entregue e que o dono havia dito que na casa tinha uma escada em curva, o que dificultaria em muito o nosso trabalho. Não disse nada, pois se o homem já tinha mal humor constante, quando sabia de uma coisa dessas, ninguém agüentava.

Chegando na tal casa, e analisando o serviço, o homem começa a ficar puto. Agarra nas cordas com a maior ignorância e levantamos a peça. Como ele estava na maior pressa, tive que acompanhar o seu ritmo. A escada era bem íngreme e lá pelo décimo degrau, e uma vez que o peso todo estava em cima dele, ele cansou e gritou:

- “Alto!!!”

Eu, na maior das boas intenções, levantei a maquina mais alto e ela foi indo pra cima dele.

Ele gritou novamente e mais alto:

- “Alto, caralho, foda-se!!!”

Não contei conversa, levantei a porra da peça o mais alto que podia. Quando olhei pra debaixo, vi que os pés dele estavam presos no degrau e a maquina completamente em cima do pobre coitado, que já nem falava mais.

Apressei-me e retirei a peça de cima do homem, que estava vermelho e bufava mais do que um touro. Quando recuperou o fôlego, deu um berro que estrondou a casa inteira. Disse ele:

- “Que língua que tu falas, pá? Tu não falas português, ô caralho? Alto é pra parar!!! Alto, é pra parar, caralho!!! Queres me matar, ô gajo? Quando um homem fala alto, quer dizer que é pra parar, caralho!!!”

Essa historia virou folclore na empresa. Mas o dia em que mais ri com o Zé Cigarro foi quando fomos trabalhar em três, pois a carga era demasiada grande e precisaríamos de um terceiro individuo. Nessas ocasiões, sempre mandavam o único canadense que havia por lá, o Brad, que por não falar português, era motivo de chacota de todos.

Nesse dia, estávamos no meio do mato e queríamos comprar umas frutas vendidas pelos índios na beira de uma estrada pequena. Eu não tinha dinheiro em espécie e muito menos o Zé. Então, como ele não falava inglês, me pede que eu pergunte ao Brad se ele tem dinheiro em espécie.

Eu disse a ele que Zé estava perguntando se ele tinha dinheiro em espécie pra emprestar a ele. O Brad estava sentado no meio da boleia, entre eu e Zé. Ele então se vira pra Zé, enfia a mão no bolso e diz: “No, I only have pennies...”

Zé então observa a mão do canadense no bolso, e na cabeça dele era como se o Brad estivesse alisando o próprio cacete e furioso, fitando bem a cara do canadense, fulmina: “Pênis tu enfia no teu cu, caralho!!! Seu filho da puta canadiano de merda!!!”

O pobre diabo não sabia que pennies significava as moedas de 1 centavo e partiu logo pra ignorância com o inocente canadense. Até eu conseguir parar de rir e explicar a situação, o canadense levou um bocado de gritos, sem saber o que estava se passando.

Friday, May 23, 2014

O trote que saiu pela culatra

Se a intenção do trote é prejudicar ou arranhar a imagem ou apenas sacanear com o troteado, esse trote que aplicamos em Gustavo Zumel saiu pela culatra e o mesmo ganhou como se fosse um premio na loteria, inteiramente dentro de sua inocência.

Quando viemos pro Canadá no final de 1999, Zumel ainda não possuía um endereço eletrônico, de tão primitivo que era. Pediu-me então pra que eu criasse uma conta de e-mail, para que o mesmo pudesse se comunicar com a família e com uma rapariga que ele mantinha em Natal.

Criei uma conta pro rapaz no Hotmail e avisei que havia criado uma senha, mas que pra sua própria privacidade, ele deveria troca-la o mais rápido possível, criando uma senha que eu não conhecesse.

Após três meses fazendo curso intensivo de francês em Montréal, voltamos pro Brasil pra completarmos o ultimo semestre da faculdade. Foi nesse momento que comentei com Gustavo Sousa (O Boi Tungão) que havia criado um e-mail pra Zumel e ele me pergunta se ainda tenho a senha. Eu disse que sim e testamos. Voilá, Zumel não havia alterado a senha.

Na UFRN, existia uma jovem senhora, casada, com a bunda muito grande, que era adorada por Zumel e pelos demais estudantes. Mas, por ser casada, ninguém se atrevia a um contato mais direto com a moça. Éramos uns puritanos.

Nem tanto, pois descobrimos o e-mail dela e com a senha de Zumel em mãos, mandamos um e-mail pra moça, se passando por ele. Era um e-mail frio, inicial, mas que demonstrava um pouco as intenções dele para com ela. Dizia que a admirava, que ela era linda e que sempre havia respeitado pois ela era casada e blá blá blá.

Ela mostrou-se surpresa, mas não repudiou o e-mail do galã. Alegou que nunca esperava uma mensagem daquela vindo dele, mas aparentou ter gostado do elogio e da cantada.

Ah, também existia um detalhe que foi fundamental pro sucesso do plano. Zumel não tinha computador em casa e logo que recebíamos uma resposta dela, corríamos logo pra apagar o que ela havia escrito, pois assim se o Mané entrasse no e-mail por acaso, nada iria ver.

No decorrer de duas semanas, os e-mails já haviam se tornado correspondências eróticas e detalhes do que iriam fazer quando se encontrassem. A gente não se agüentava.

O mais comédia de tudo era quando estávamos todos juntos nos corredores e ficávamos observando a jovem olhando pra Zumel com ar de sacana e Zumel sem desconfiar de nada, chegava pra gente e dizia:

- “Meu irmão, essa bicha ta só rindo pra mim, que porra é essa?”

E a gente não se agüentava e dizia pra ele que ela só podia estar paquerando com ele.
Mas a conversa do e-mail ficou tão quente que chegou ao ponto que tivemos que dizer a menina que Zumel tinha que comer ela naquela noite, que já não agüentava mais. Marcamos então um encontro numa lanchonete às sete da noite, pra irmos direto pro motel.

Aí chegamos pra Zumel naquele dia de tarde e dissemos:

- “Ei Zumel, tu vai fazer o que hoje a noite? Faz um favor pra gente, come ali uma doidinha que a gente organizou pra tu. Mas tu ta devendo 100 reais pra cada, ok?”

Ele com cara de anus, perguntou o que estava havendo. O bicho é tão doido que sem questionar, diz, com cara de glutão: “Mas homi...”, e entra no carro e vai ao encontro da jovem, que manteve um caso amoroso com o Don Juan e até hoje nunca desconfiou que quem foram os conquistadores foram eu e Gustavo. Essa foi a primeira vez na historia que eu servi de cupido, quando na verdade eu estava com intenção de ver ao menos uma tapa na cara de Zumel, em plena luz do dia na UFRN.

Mas como os amores de hoje em dia são assim, terminamos como rufiões e propagadores do adultério. Zumel até hoje se vangloria e provavelmente nunca alterou a senha do e-mail, que deu muita sorte pra ele.

Sunday, April 27, 2014

Não davam paz aos travecos

Naquele tempo em que não existiam baboseiras como as coisas politicamente corretas de hoje, diversão garantida era juntar uma turma e atirar objetos, pesados ou não, nos travestis e viados que faziam ponto ali na Igreja Santo Antonio, nos cruzamentos da Amintas Barros com a Salgado Filho. Uns ficavam na igreja, outros na calçada da fabrica de “confeitos” Sams.

Nesse contexto, sempre quem possuía carros tipo pick-up era escolhido pra levar os interessados em alvejar os travecos da Igreja. Num determinado dia, o escolhido foi o nosso querido amigo Fabiano Morais, mais conhecido nas rodas da malandragem como Koala, que possuía uma pick-up Pampa, da Ford.

Os indivíduos que iam de cagalona, portavam côcos, sacos de lixo, ovos e outras coisinhas mais. Koala para o carro em frente a eles e a infantaria fez o seu trabalho. Despejaram todo a munição em cima dos pobres trabalhadores da noite, que se defendiam e fugiam como podiam daquele ataque terrorista.

Eis que quando findou a munição, os travecos que escaparam entre os mortos e feridos, avançaram pra cima da Pampa de Koala, pois sabiam que eles estavam sem coisas pra atirar neles, e os travecos como sempre, possuíam canivetes e giletes.

Sentindo a aproximação da turma e temendo que a retaliação seria grande, Koala começa a tremer e não consegue sair com o carro, deixando que o mesmo estancasse quando tentava fugir. Como ninguém é besta, todo mundo saiu correndo do carro, deixando o solitário motorista sozinho, tentando ligar o carro e sem conseguir, devido ao altíssimo grau de nervosismo.

Foi quando olhou pro lado e se depara com um raivoso traveco ao seu lado, querendo tirar satisfações sobre os machucados que recebera, gratuitamente.

Koala então se saiu com a frase que ficou pros anais da historia e que também salvou a sua pele. Ele falou:

- Desculpa ai, Seu Viado, a culpa não foi minha não, eu só dei uma carona pros caras...

O travesti não sabia se ria ou se chorava por estar sendo chamado de “Seu Viado”, tão respeitosamente, que liberou a saída do urso, que depois daquele dia, nunca mais jogou nada em ninguém.

E quanto aos amigos de infantaria que deixaram Koala sozinho junto aos leões, digo, as leoas, correram tanto se acabando de rir que só pararam na casa de Pezão, que ficava a uns 12 quarteirões do local.

Tuesday, April 22, 2014

Tapuru e a gordinha da noite

O nosso herói Tapuru, numa fase braba em que estava mais pra fezes do que pra mousse de chocolate, resolve contratar os serviços de uma jovem meretriz que fazia ponto na Avenida Engenheiro Roberto Freire, perto do famoso prédio da Sistema, firma séria que trabalhava com informática, de propriedade de Sebastião Melo, pai do nosso querido Vitor “Chico Bento” Albuquerque, mas que à noite virava ponto de prostituição.

Tapuru, guiado mais pelo tesão enrustido do que pela lógica, parou o carro, mandou a jovem adentrar aquele seu famoso Uno Mille verde de duas portas e não se preocupou com mais nada. O detalhe é que a jovem, apesar de sua profissão, era o que poderíamos dizer, bastante fora de forma, pesando inclusive o dobro do peso do "musculoso" Tapuru.

Foram pro motel e fizeram aquela festa lá dentro, que eu poderia até descrever, mas sou impedido por uma ânsia de vomito imensamente forte, cada vez que tento imaginar o teor dessa passagem e assim como, da cena desse esqueleto se mexendo em cima da filhote de elefante.

Inclusive dizem que foi nessa noite que ocorreu aquela célebre história. Dizem que Tapuru mandou a jovem obesa ficar com as luzes apagadas, tirar a roupa e ficar deitada na cama, esperando por ele. Nisso ele foi ao banheiro, tirou a roupa e pulou em cima dela, com os braços abertos.

A menina ficou desesperada e chamando por Tapuru, disse:

- “Moço, moço, me ajude aqui que acabou de cair um crucifixo em cima de mim”.

Mas enfim, Tapuru pagou a conta do motel com cartão de credito e quando foi efetuar o pagamento pelos serviços prestados pela jovem, percebeu que não tinha um centavo sequer pra contar historia. Depois de uma breve discussão, foram até uma maquina 24 horas que tinha no Natal Shoping Center. Chegando lá, novamente frustração. Segundo Tapuru, a maquina estava fora do ar. Outro principio de tumulto, mas concordaram em ir até a maquina da AABB.

Tapuru desce e ela fica observando a cara do sujeito, que volta dizendo que a maquina também estava fora do ar. O pau cantou, mas eles chegaram a um acordo. A jovem morava na Vila de Ponta Negra e se, caso Tapuru levasse a mesma até a porta de casa, a dívida estaria perdoada.

O magro velho topou na hora, afinal a gasolina saia do bolso do velho Rui mesmo. Chegando na casa dela, a jovem desceu e Tapuru foi fazer a manobra pra poder voltar. O homem tava com um medo gigantesco de estar ali naquela região, naquela hora e sozinho. Quando percebeu, a menina começou a gritar por ele. Tapura não quis conversar, meteu os pés no carro, olhando pelo retrovisor. Foi aí que viu a menina no meio da rua e mesmo todo cagado de medo, resolveu voltar.

Deu marcha a ré e parando ao lado da gordinha, pergunta, com a liberdade de quem conhece-a muito intimamente: “O que foi, porra? Ta doida, gritando ai no meio da rua?“

Eis que a jovem mostra a carteira de Tapuru e diz: “Pega tua carteira aí magro velho, já vi que tu tá liso mesmo. Da próxima vez se liga que senão eu não devolvo nem os documentos”.

Tapuru saiu com um misto de sentimentos dentro daquela cabecinha amargurada. Como podia uma puta daquelas ser tão honesta? Como podia ela ter topado em fazer o programa de graça? Sim, ainda tinha gente boa nesse mundo.

Thursday, April 17, 2014

Polpa de frutas de Miami

Estive em julho de 2008 na Flórida. Por insistência quase religiosa do meu amigo Marcelo China Junior, armei acampamento no apartamento dele. China estava muito bem localizado em Miami Beach, ha dois quarteirões de agradável pedaço de praia em South Beach. Não preciso dizer quão agradável foram esses 10 dias que passamos por lá. China trabalhava durante o dia e durante à noite, nos sentávamos pra jantar, descer umas geladas e contar as resenhas do dia e relembrar as presepadas do passado. Sempre falando mal de um ou de outro, lógico.

Tudo isso não traria problemas pra ninguém, a não ser que quando a cerveja batia na cuca, toda noite lá pelas 3 da manhã horário de Miami e 4 da manhã horário de Natal, China aparecia com um numero de telefone na mão e um cartão de telefonemas internacionais na outra. E dizia: “Agora, vamos encomendar polpas de frutas diretamente de Natal!!”

Demorava uns cinco toques e lá atendia uma voz rouca e de sono. Era o nosso ilustre cidadão natalense Ovídio Cavalcanti, mais conhecido nas rodas da malandragem como “Vovô Babão”ou “Bôzo”.

A voz de cá dizia: “Ovídio, Ovídio, eu quero fazer um pedido de polpa de frutas, pode ser?”

A voz de lá, altamente irritada mas contida, respondia: “Amigo, voce sabe que horas são? Não ligue mais pra cá não, tenha respeito, tem outras pessoas na casa querendo dormir também”.

Quando tínhamos percebido que já havíamos atingido o objetivo de acorda-lo, a gente começava a rir e desligava o telefone. E assim foram sendo feitas as ligações, religiosamente no mesmo horário. Só não ligamos nos dias que passei em Orlando e em Key West, mas quando estava em Miami, pedimos as polpas. Inclusive certa feita foi o gordinho Gustavo quem atendeu.

No antepenúltimo dia, a irmã de Ovídio atendeu ao telefone e questionou: “Meu filho voce não acha que tá muito tarde pra compra polpa de frutas não?”

Eu respondi pra ela:

- “É por esse motivo que vocês não vão pra frente. Ficam escolhendo hora certa pra vender, em vez de apenas vender a porra da polpa da fruta, dar graças a Deus que arranjaram um cliente e pronto. Mas não, vocês ficam regulando hora, e vão terminar quebrados. É a globalização”.

Ela se irritou com tal observação, demos mais uma risadas e umas latidas, e desligamos.

No penúltimo dia, novamente Ovídio atendeu ao telefone e comecei a dizer que queria fazer um pedido. Ele então disse, puto da vida: “Vá amigo, faça seu pedido aí que eu estou anotando...”

- “Eu quero 5 sacos de acerola, 5 sacos de uva, 5 sacos de goiaba... está anotando?”

- “Estou amigo, estou anotando sim... vá falando que eu quero reconhecer a sua voz, bonitinho”.

- “Anotou tudo aí né? E banana? Tem banana?

- “Não amigo, não temos polpa de banana não”.

- “Eu não perguntei se voce tinha polpa de banana, a banana que eu quero é pra enfiar no teu rabo, filha da puta!!!”

Ele ficou possesso, demos novamente uns berros e desligamos.

No ultimo dia, em estado impar de embriaguez, resolvemos ligar uma derradeira vez pro nosso amigo industrial do setor de polpas.

Como na última vez que estive em Natal, o folião Nino Bugueiro sentou-se à minha mesa na Picanha do Dudé, bebeu, comeu e fugiu sem pagar a conta, ele iria pagar de outra forma.

Comecei a dar dicas no telefone que era Nino que estava por trás daqueles trotes todos. Num momento, sabendo que Ovídio estava na linha em silencio, eu disse pra China: “Ei Nino, ei Bugueiro, Vovô Babão desligou. Que bicho mais otário, bem que tu disse que ele pegava ar por tudo, igual aquela história da G Magazine...”

Ovídio, no alto de sua sapiência, e vendo que o numero que aparecia no seu Bina era da Telemar, nunca imaginou que quando alguém liga do exterior, em vez de aparecer o numero do cartão, aparece o numero da operadora local. Tendo essa informação em mãos, ele liga pra Telemar e começa a brigar com o sujeito que atendeu.

Não satisfeito, vai à delegacia de policia mais próxima e presta queixa contra o pobre funcionários da Telemar. Eis que Luciano Berberick, vendo a gravidade da situação, diz ao mesmo que pare com isso, que isso é presepada minha com China.

Ovídio então me escreve querendo saber se era verdade, que ele só queria saber, pois iria colocar um inocente atrás das grades. Evidentemente eu neguei e o pobre coitado funcionário da Telemar deve estar dando explicações até hoje.

Friday, March 21, 2014

Bebeto liso na casa de drinks

Nas tediosas noites de domingo, para não ficarmos em casa e assistirmos ao Fantástico, íamos conversar com algumas meninas que trabalhavam em uma “casa de drinks” lá em Capim Macio. Era uma coisa engraçada. Conhecíamos todo mundo no ambiente, desde os frequentadores, passando pelas meninas, até os que lá trabalhavam. Lembro muito de Manel, um amigo do Neves, que era o melhor freguês da casa.

Assim, as noites de domingo passavam a ser deveras animadas. Mas em uma dessas, após termos comido e bebido tudo o que tínhamos direito, me levanto para ir ao banheiro e Bebeto da Égua vem junto a mim.

O safado começa a gargalhar. Eu pergunto o que aconteceu e recebo outra gargalhada como resposta. Quando eu já estava ficando puto, escuto a frase que me deixou mais puto ainda:

- Ei, das Cachorras, eu não tenho um puto no bolso pra pagar a conta!

Diz isso e começa a gargalhar novamente. Eu perguntei se ele estava achando isso engraçado e, sem resposta, concluí que estava, pois não parava de se abrir. Estávamos no velho Monza verde de Osvaldão. Dar o cangapé não me traria prejuízo algum, a não ser, o de não poder frequentar mais tão pitoresco ambiente.

Bebeto então pediu que eu pagasse a sua parte e que no outro dia, sem falta, iria me reembolsar. Não acreditei muito, mas não tinha outra alternativa. Nunca foi do meu feitio deixar um amigo em posição delicada. Como não tinha dinheiro em espécie, passei um cheque do valor total e fomos embora.

Chegou segunda-feira e nada de eu encontrar Bebeto, e olhe que o bicho morava duas casas à direita da minha, descendo a rua. Terça-feira e nada. Na quarta-feira, finalmente, encontro o rapaz. E ele diz:

- "Das Cachorras, eu tinha o dinheiro exato pra te pagar, mas Daniele estava suspeitando que estava grávida e eu usei a grana pra pagar o exame. Ela está grávida e eu gostaria de aproveitar pra convidar você a ser o padrinho do meu primeiro filho!”.

Bebeto ainda me prometeu o pagamento da grana para o final da semana, mas eu disse que a verba tinha sido gasta para um motivo nobre, que não precisava pagar e ficamos assim. Hoje em dia, com a minha mudança para o Canadá, eu não sou próximo do meu afilhado Leonardo como eu gostaria, mas espero que um dia isso possa ser corrigido.

Me lembro com carinho que ainda dei de presente para ele um bercinho e um velocípede no seu aniversario de um ano. E Bebeto, o reprodutor, constituiu família com outra esposa, a Juliana, e é o feliz pai de mais duas meninas.

Monday, March 17, 2014

Tatá perde a carteira

O nosso grande amigo Maurílio Eduardo, mais conhecido como Tatá, teve um carro que marcou época em nossa turma. Tratava-se de um Gurgel Carajás branco, que foi testemunha de muitas cachaças sadias.

Em uma dessas, saímos com destino a uma batucada na praia de Pirangi do Norte, mais precisamente num bar chamado Cia. da Pizza, em frente à casa do Doido George.

Como de hábito, exageramos um pouco na bebida e, ao tentar atravessar um canal de esgoto existente do lado esquerdo da rua de quem está indo em direção à Natal, não consegui pular o mesmo e caí dentro da água fedida, não antes de deixar um buraco na minha canela, buraco este que ficou para sempre na minha perna direita e que demorou uns seis meses para cicatrizar.

Quando eu consegui sair do esgoto, Tatá se deu conta de que havia perdido a carteira, alegando que a mesma estava repleta de verdinhas, além dos documentos dele e do carro. Foi um desespero só. E eu, todo fedido, tentando ajudar o rapaz a encontrar a carteira dele. Evidentemente, ele julgou que sua carteira era mais importante do que a minha higiene.

Andamos todas as ruas nas cercanias da batucada e nada de encontrar a carteira do rapaz. Fomos então em uma casa que o pai de Juliano Jereba havia alugado para tomarmos banho e nos aprontarmos para a noitada, após eu garantir que emprestaria dinheiro ao grande Tatá.

Ao chegar à casa de Jereba, vasculhando as suas coisas para ir ao banheiro, Tatá se lembra que talvez tivesse colocado a carteira embaixo do banco do Carajás. Quando ele vai se certificar, eu entro no banheiro e vou tomar banho, ao invés de ficar esperando ele voltar.

Quando eu saio do banheiro, vou lá fora e me deparo com uma cena inusitada. A casa de Jereba era vizinha à casa de um grande amigo meu, do tempo do Colégio das Neves e da natação, André Luis, irmão de Márcio Breno. E nessa casa eu passei alguns memoráveis veraneios.

Voltemos então à cena. Tatá foi ao banheiro, mas este estava ocupado por mim. Resolveu então tomar banho na casa de André, numa bica que tinha do lado de fora da casa, mas dentro dos muros da propriedade dele.

Mas o banho que ele resolveu tomar era como se estivesse dentro do banheiro, nu. Quando eu chego à varanda, estava seu Ivo, pai de André, tentando explicar a Tatá que ali era uma casa de família e tal.

Tatá, com o braço esticado para fora do alcance da água, com a carteira na mão e com o resto do corpo debaixo da água, só repetia para o homem, aos berros, como se ele não fosse o dono da casa: “Meu amigo, eu achei minha carteira. Você não está entendendo, eu achei minha carteira, porra!!!”

Dali mesmo eu me escondi, pois não ia ser nada saudável ser associado àquele nudista, ainda mais por aquela família tão querida por mim. Calmamente, o indivíduo nu sai do chuveiro e se arruma ali, como se nada tivesse acontecendo. Mas ainda berrava sobre a carteira.

Thursday, October 31, 2013

Rainer e o chocolate

Rainer Patriota, certa vez, trocou a noite pelo dia e fomos saborear uma gostosa cerveja ao som do seu violão, na minha casa. Começamos os trabalhos por volta do meio-dia e quando foi lá pelas seis da tarde, meu irmão chega, procurando por uma barra de chocolate branco que alguém tinha lhe dado. Ele tinha certeza que havia colocado a dita cuja no congelador.

Meu irmão, então, começou a me acusar de ter dado cabo do chocolate, pois eu fiquei rindo da cara dele. Eu neguei, avisando, inclusive, que não gostava de chocolate branco. Ele disse que se o chocolate dele não aparecesse, ele iria comer a minha barra que também estava no congelador, só que de chocolate preto. Eu avisei que caso ele fizesse isso, o pau iria comer, pois eu não tinha nada a ver se ele tinha perdido o chocolate dele.

Dito e feito. O atrevido foi e mordeu o chocolate na minha frente. Como eu não poderia deixar a minha palavra solta no ar, meti-lhe a mão nas fuças e o pau cantou dentro de casa. Minha mãe, sozinha em casa, tentou apartar a briga, mas, no meio do tumulto, caiu no chão e começou a chorar.

Chamou Rainer para nos separar, mas medroso como era, só ficou tentando parar com a voz, não chegou perto para segurar ninguém, o que aumentava o desespero da minha pobre mãe.

Quando enfim paramos a briga, ela telefonou para o meu pai, que veio saber o que estava acontecendo. Tomamos banho para irmos ver nossas namoradas, mas meu pai mandou que entrássemos no carro com ele, os dois. Dirigiu por uns dois quarteirões, desceu do carro e disse para mim, com muita raiva e gritando: “Você vai dirigindo o carro agora, vai deixar seu irmão na casa da namorada dele e quando ele terminar, você vai buscar. Quero ver se vocês vão se matar no caminho”.

Não fui buscá-lo e passamos uns seis meses sem nos falarmos. Depois disso, nós ficamos amigos novamente, melhor até do que antes. Mas eis que Fábio encontra com Rainer na rua uns dois anos depois e este confessa ter sido ele quem comeu o chocolate, aos poucos, toda vez que ia buscar uma cerveja no congelador.

Eu não sabia até então o porquê de Rainer ser sempre tão solícito a respeito de ir buscar a próxima cerveja, mas estava achando bom, que nem da cadeira eu me levantava. Meu irmão então pediu desculpas e me deixou com o gosto de ter a certeza de que o tempo sempre trabalha junto de quem é honesto. Um dia a verdade aparece. Se isso serviu para alguma coisa, desse dia em diante, eu e meu irmão nunca mais tivemos uma briga.

Wednesday, October 30, 2013

Cena Urbana: Luiza!

Durante quase toda a minha infância, adolescência completa e começo da vida adulta, eu fui vizinho do jornalista Vicente Serejo, muro com muro. Apesar de gostar muito das filhas dele, Silvinha e Odyle, o barulho da máquina de Serejo perturbava a noite inteira.

Não por vingança, mas por coincidência, no final de semana eu descontava, quando fazia minhas bebedeiras lá em casa, principalmente quando estava em uma varanda que ficava a poucos metros da sala deles.

Certa ocasião, um grande amigo meu, Rainer Patriota, que é o filho do também jornalista Nelson Patriota, estava nessa varanda para uma noitada de boemia. Rainer é o maior violonista que eu já vi, mas não tinha muita resistência etílica e bebia, dormia, acordava, bebia de novo, sempre tocando.

Por incrível que pareça, consegui levar o homem na conversa e na geladinha até o sol raiar. Ninguém já aguentava mais falar, mas Rainer pegou o violão e tocou uma versão instrumental de “Luiza”, de Tom Jobim, numa versão parecidíssima com a que o grande violonista Raphael Rabello tocava. E repetiu a mesma música sem parar. E foi assim que fui dormir, ao som de Luiza.

Na semana seguinte, quando vou chegando em casa, Silvinha me para e diz que tem um presente para me dar. Era a coluna de Vicente Serejo, “Cena Urbana”, daquela semana. Silvinha me disse que ele estava falando de mim no jornal.

Quando peguei o jornal, pensei: “Puta que pariu, será que ele tá me detonando?” Mas, para minha surpresa, ele elogiava o fato de ter sido acordado com “Luiza” e o gosto musical do vizinho, que tinha escolhido a versão maravilhosa de Raphael Rabello.

Só que não era Raphael Rabello, era Rainer Patriota. Mas a versão era tão similar que seria impossível Serejo distinguir uma da outra. Se não foi possível fazer justiça completa naquela época, faço agora com o grande Rainer. Pena que ele largou o violão para tocar Viola de Gamba. Hoje é um austero professor de filosofia. Só espero que não seja avesso a noitadas, pois seria um desperdício aos que amam essa vida.

* Video de Raphael tocando Luiza.



Monday, July 29, 2013

O passeio à casa de Pezão

Naquela ânsia desenfreada de quem está começando a dirigir, eu pedia o carro ao meu pai toda a hora que ele aparecia na minha frente.

- “Eu vou comprar pão!”, dizia eu, entusiasmado.

Ou então, “Papai, deixe-me dar uma volta no quarteirão”.

Nessa noite, pedi o carro pra ir dar uma voltinha na casa de Pezão. Chegando lá, não tinha ninguém, somente Reginaldo Matuto se encontrava na calçada, esperando por alguém chegar. Quando desliguei o carro, ele me contou que estava sendo realizado uma festa de São João no colégio objetivo, lá em Petrópolis e que todo mundo devia estar lá.

Petrópolis é um bairro afastado da minha casa, que é em Morro Branco. E eu nunca tinha saído de Morro Branco dirigindo, mas não podia deixar que isso me impedisse de ir à tal festa. O Matuto entra no carro e zarpamos pra diversão, sem se importar com o fato de meu pai ter autorizado somente a minha ida à casa de Pezão, que ficava há 2 quarteirões de distancia.

Tudo corria bem ate que de repente surge uma “boca de lobo” na nossa frente. Tratava-se de uma tampa de bueiro da CAERN , bem alta, sobressaindo do calçamento. Reginaldo disse-me para desviar e eu disse que não, que dava pra passar por baixo do carro sem problemas.

Só escutamos aquele barulho gigantesco e a partir disso, nada adiantava se eu girasse a direção do carro toda pro lado direito ou toda pro lado esquerda, o veiculo continuava indo reto. Havia quebrado a caixa de direção por completo e não tinha jeito do carro andar, para que eu mentisse pro meu pai, dizendo que o acidente havia sido perto de casa.

Nessa época ninguém nem sonhava que existia o tal do telefone celular. Então corremos pro Sandunas e lá encontramos uns amigos muito gente boa. Piteno, Pezão e Segundo (José Caldas Marinho), todos num Selvagem de propriedade deste ultimo.

Contamos o ocorrido, todos riram bastante da minha situação, como não podia deixar de ser diferente, e fomos analisar o carro. Quando chegamos a conclusão que o mesmo não teria jeito, resolvemos ir na minha casa contar ao meu pai. Fomos os cinco.

Chegando lá, meu pai estava na varanda e já foi perguntando pelo carro. Eu falei que o carro havia quebrado. Onde, ele perguntou. Ali, eu respondi. Ali aonde, meu filho, insistiu ele. Ali perto do objetivo (eu pronunciei esta ultima palavra na VDM, velocidade de dicção máxima), disse eu tentando enrolar. Perto de onde, se assustou o homem.

Nesse momento, os quatro indivíduos ficaram escondidos atrás do muro, pois já sabiam a reação escandalosa que minha mãe iria dar. No que meu pai está vestindo a camisa pra ir tentar consertar a merda que eu tinha feito, minha mãe sai lá de dentro perguntando o que houve. Quando eu tentei dizer, já veio com a gritaria, me chamando disso, e daquilo, pra deleite dos senhores que assistiam de camarote. Começaram a gritar e gargalhar e fugiram, deixando somente Piteno, que já havia pego a sua canoa.

Assim, saímos eu, papai e Piteno pro local do crime. Chegando lá, papai foi olhar embaixo do carro o estrago que havia sido feito. Nesse momento, o selvagem de Segundo já estava lá novamente, acompanhado agora do bugre Cobra de Marcio Cachaça.

Cachaça, pensando se tratar de um de nós embaixo do carro, encosta o bugre bem perto e diz: “O que esse mecânico buceta pensa que vai consertar”?

Meu pai se levanta e diz, com cara de poucos amigos: “Eu não vou consertar porra nenhuma, pois eu não sou mecânico!” Cachaça diz: “Eita, porra, foi mal!”, e vai embora, com cara de rapariga. Você imagine ai a minha situação.

O fato é que o carro teve que ser rebocado pra Espacial Veículos , o fato é que não teve festa de São João no Objetivo nenhuma, o fato é que eu fui motivo de piada por uns seis meses e o fato é que até o dia que faleceu, meu pai não pronunciou uma palavra sobre o ocorrido. Isso é que é ter elegância.

Friday, July 26, 2013

Das Cachorras

No decorrer desses quase 20 anos de existência, já ouvi inúmeras versões sobre a origem do meu apelido. Gente que jura que estava comigo quando eu fui ter relações sexuais com cadelas. Gente que jura que sabia que eu tinha um canil que só tinha cadelas e o único cachorro era eu. E por ai vão as insanidades. Mas a verdade é só uma.

Estava sendo realizado no Colégio Nossa Senhora das Neves, onde eu estudava, a feira de ciências que todo colégio realizava em um determinado período do ano. Eu tinha então 14 anos e cursava a oitava série do primeiro grau.

Planejamos ir pra tal feira de ciências, pois apesar de ninguém ter interesse algum na ciência, tínhamos sim interesse no monte de meninas que por lá se encontravam, pois nesses eventos, o menos importante era o que estava sendo exposto e sim o fato de que todos as pessoas da cidade da nossa idade estariam lá.

Pra apimentar mais um pouco a história, resolvemos passar num bar bastante conhecido da minha época chamado Trovão Azul, localizado ali na Afonso Pena, já perto do CCAB Norte. A intenção era tomar umas cinco cervejas e partir pro destino final.

Chegando no Trovão, não sei porque resolvemos trocar e ir pro bar vizinho, o Bar do Ednaldo. Pelo que me lembro, estava fazendo um sol forte no Trovão naquela hora do dia e no Ednaldo (hoje Cantina do Ednaldo) tinha sombra, qualquer coisa assim. Talvez se tivéssemos ficado no Trovão esse apelido nem existiria. O fato é que estavam eu, Frederico Lemos (o doido Zé Zuada), Leonardo Leite, e o nosso famoso Carlos Eduardo Mello (Piteno), hoje vegetariano.

Após meia grade de cerveja e eu já embriagado, devido ao inexistente costume do meu organismo ao álcool, chega outro carro com mais quatro indivíduos dentro, e eles eram Denis Zambon, Vlaviano, Gley Karlys (Araci de Almeida) e Fernando Bastos (Fernandinho).

Quando a primeira grade foi completada, eu não sabia mais onde era o céu e nem onde era o chão. Comecei a ver o mundo rodar e obvio, debaixo da gargalhada geral, pois todos já eram mais velhos e bebiam bastante, fui me sentar no chão, encostado no muro, por acreditar que dali não cairia.

A sensação era terrível, a vontade de vomitar era enorme e eu não pude conter. Vomitei tudo o que tinha bebido, tudo o que tinha comido e mais alguma coisa. Ednaldo tinha uma cadela chamada Xuxa, que sempre ficava na porta do banheiro. Ela foi atraída pelo vomito e começou a lamber o mesmo.

Mas em nenhum momento ela me lambeu, como alega o senhor Gley, e eu posso afirmar categoricamente isso, pois em nenhum momento eu dormi, estava acordado o tempo todo, e estava sentado, não deitado como aumentou o Araci de Almeida.

A cadela veio, lambeu o vomito e se entrou novamente no bar. Essa operação não durou mais que dois minutos. Mas a historia que o senhor Gley saiu contando por ai foi que ela me lembeu todo, inclusive na boca. É um filha da puta. Então me apareceu poucos dias depois na casa de Pezão, numa das reuniões diárias, e quando me viu, já saiu do carro dizendo: “Ei, pessoal, conhecem aqui o Das Cachorras?”

Evidentemente, todos ali adoraram e o apelido se espalhou como água. Por causa desse cretino, tem gente que me conhece há quase vinte anos e não sabe que o meu nome é Fabiano.

Eu não sei qual coisa boa Gley fez na vida, mas que eles fez duas merdas grandes, isso eu posso afirmar. Uma foi ter colocado esse apelido na minha digníssima pessoa e a outra foi ter projetado o Frasqueirão, o campinho do ABC Futebol Clube. Nem pra projetar um pro meu glorioso América ele presta.

Wednesday, July 24, 2013

Carlinho Grilo e o freezer

Quando o meu compadre Bebeto Grilo casou, foi morar na fazenda da Família, no município de Espírito Santo, lá perto de Nova Cruz e Santo Antonio do Salto da Onça.

Bebeto vem a ser irmão de Carlinhos Grilo, de Osvaldo Grilo e de Liginha, e também filho de Seu Osvaldo e Dona Teresinha, família tão querida e amiga que mora na mesma rua que meu pai há quase 30 anos, e onde eu morei desde os 3 anos de idade até os 24, quando me mudei pro Canadá.

Como presente de casamento, Bebeto ganhou um freezer horizontal, daqueles usados nos bares pra estocar cerveja e refrigerante, presente de sua avó e que deveriam levar pra fazenda. Em vez de cerveja, Bebeto iria armazenar o leite tirado do gado da fazenda.

Paulo Frederico, também conhecido como Fredeca, se ofereceu pra levar o freezer em sua camionete S10, afinal tudo era motivo pra ir até a fazenda Jardim Santa Tereza pra uma boa cachaça e se tivesse sorte, ainda teriam a companhia do grande Chico Preto, trabalhador antigo da fazenda.

Fredeca, com a ajuda de Rui Barbosa, amarrou o freezer na caçamba da camionete e partiram contentes pra fazenda. Eis que o nó que foi dado não foi muito eficiente e a corda começou a se soltar aos poucos. Quando estavam na BR 101, já chegando em Goianinha, encontram uma ladeira e “responsavelmente”, Fredeca promete colar o ponteiro da camionete, somente pra dar mais um pouco de emoção à viagem.

Vinham com os vidros abertos, mas pra ganhar mais velocidade, resolveram fecha-los. Só a física explica, mas nessa hora, um vento canalizado conseguiu penetrar por baixo do frigobar, que fez com o mesmo fosse parar em plena rodovia.

Foi uma sorte tremenda que não vinha nenhum carro atrás deles, pois caso contrario, ambos estariam na cadeia até hoje pagando por homicídio culposo. O mais próximo de um assassinato foi um sujeito que vinha em uma bicicleta no acostamento.

O sujeito viu aquela geladeira vindo em sua direção, puxou pra um lado, a bicha foi pro mesmo lado, puxou pro outro, ela foi pro outro, mas ele, malandro, conseguiu driblar o objeto voador identificado, afinal, o nordestino é antes de tudo um forte.

Na hora que o carro foi aliviado no peso do frigobar, o motorista percebeu de imediato e olhou pro retrovisor pra ver o estrago. Avisou a Carlinhos e voltaram pra tentar recuperar o eletrodoméstico.

O que restou do freezer era uma massa destruída, um pouco maior do que um frigobar. Os dois recolheram o troço e colocaram na camionete outra vez, dessa vez amarrando bem firme o nó, como se fosse adiantar alguma coisa.

Chegando na fazenda, o Seu Osvaldo esperava por eles na varanda da casa, ansioso pra ver o freezer funcionando. Quando viu o estado em que se encontrava os restos mortais, não acreditou no que via e perguntou ao Rui Barbosa:

- “Carlinhos, esse freezer é Cônsul, não é?”

- “É papai, é Cônsul”, respondeu Carlinhos.

- “Você sabe onde é a fábrica da Cônsul?”, perguntou Seu Osvaldo.

- “Sei não, papai”, retrucou Carlinhos.

- “A fábrica da Cônsul é lá no Rio Grande do Sul. E como nós estamos no Rio Grande do Norte, trata-se de uma grande viagem. Mesmo com essa grande viagem, os freezers vêm amontoados em cima de um caminhão e nenhum cai, ta me entendendo, nenhum!! Como você não consegue trazer essa merda de Natal pra Espírito Santo sem derrubar, Carlinhos? Desapareça com essa merda da minha frente e traga ela inteira e funcionando aqui amanha. Mas dessa vez amarre essa porra com vontade!!!”

Carlinhos e Fred se segurando pra não rirem na frente de Seu Osvaldo, recolhem o ferro-velho e colocam novamente na camionete, com a ingrata missão de arranjarem um lugar pra consertarem aquele amontoado de ferro.

Tuesday, July 23, 2013

Carlinhos Grilo e o casamento

Voltando do Iate Clube onde disputávamos amadoríssimas partidas de tênis, eu e Carlinhos Grilo, o jovem deputado, também conhecido por Rui Barbosa, não pela inteligência mas pelo tamanho da cabeça, tivemos que parar em um semáforo.

Carlinhos fica calado e observando dentro de uma igrejinha, que fica ali na Ribeira, perto da ladeira de Marpas , onde estava sendo realizado um casamento. O sinal abriu e em vez dele sair, ele deu a volta e parou o carro e disse, com cara de puta:

- “Fabiano, você quer ver como estragar a vida de um cara inseguro?”

Curioso, quis saber do que ele estava falando. Com o carro ainda ligado e pronto pra fuga, o escroto do cabeção desce e só de bermudas e camisa, todo suado, grita pra dentro da igreja:

- “Rapaz, não case não, tu é corno, todo mundo sabe. Tu vai casar mesmo? Ha ha ha ha... nao faça essa besteira, rapaz... ha ha ha ha... nao case, tu é corno... ha ha ha ha... CORNO SAFADO!!!”

Ele falava e ria ao mesmo tempo, o que dava mais autenticidade ao seu discurso, como se de fato soubesse de alguma coisa da vida daquele pobre noivo que o mesmo desconhecia. O pobre diabo começou a se dirigir à porta e Carlinhos, que não é bobo, correu pra dentro do carro e fomos embora. Eu sem acreditar no que estava presenciando.

O bicho gargalhava tanto que eu pensei que ele ia morrer ou me matar, num acidente automobilístico. Quando ele conseguiu se controlar um pouco, já perto de casa, ele disse, com a naturalidade de um assassino em série:

- “Fabiano, esse rapaz nunca mais vai ter paz na vida. Se a noiva for puta, vai telefonar agora pros caras que comeram ela, pedindo explicações. Se for santa, vai ficar com fama de puta entre o noivo e os amigos e familiares. Já pensou, que azar desse cara a gente ter passado por aqui agora?”

- “A gente uma porra, você que fez a merda. Não coloque mais essa na minha já extensa lista de pecados”, rebati assustado.

Ele insistia que eu dei apoio e que eu poderia ter impedido que o mesmo fizesse tamanho desatino. Eu só sei que esse foi o maior ato de crueldade gratuita que eu já vi alguém cometer na vida. Se você casou nessa igreja por fim dos anos 1990 e acha que é corno, fique aliviado e saiba que tudo não passou de mais uma fuleiragem do nosso Rui Barbosa.

Monday, July 22, 2013

Tapuru perde a linha


Numa daquelas canas malucas, eu e Schiavo resolvemos ir tomar uma na casa de Bigode, na praia de Caraubas. Sabíamos que Tapuru estava em Muriú, tomando uma na casa do seu primo Ronaldo. Passamos por lá no caminho para levarmos o grande Tapuru conosco.

Acontece que o mesmo já estava morto de embriagado naquele momento e insistiu em ir dirigindo o seu próprio veiculo, o que fortemente desaconselhamos o rapaz, mas diante de sua teimosia conhecida até por Bento 16, resolvemos ir um carro atrás do outro.

Quando estávamos quase saindo de Barra de Maxaranguape, o bebum Tapuru nao parou em um cruzamento que era suposto parar e colide com uma senhora que dirigia um surrado Chevette e que estava acompanhada dos filhos e de outra amiga.

Ao bater no carro, a primeira reação do mago velho foi ir embora, pra nao ter que pagar a conta. Mas a mulher era obstinada e seguiu o mesmo até perto de caraubas, onde dá uma fechada no Tapura, obrigando o mesmo a parar o carro pro estrago nao ser maior.

A gente havia visto a batida e entramos no ritmo de fuga juntamente com o infrator e como nao víamos mais Tapuru no retrovisor, resolvemos voltar pra ver o que tinha acontecido com o rapaz.

A mulher chamava Tapuru de irresponsável e Tapuru rebatia dizendo que ia pagar. Ela indagava como ia pagar se ele estava fugindo. Tapuru nao tinha nada a dizer, só repetia que ia pagar o prejuízo dela. Ela dizia que queria o dinheiro na hora e que ia chamar o marido pra resolver a questão. Tapuru repetia calmamente que iria pagar na segunda, que ali nao possuía o montante.

E a discussão continuava em círculos, com a senhora argumentando que Tapuru havia fugido e que o que garantia a ela que ele nao iria desaparecer na segunda. E Tapuru, com o peso da culpa nas costas, tentava se manter calmo, dizendo que havia errado ao tentar fugir mas que na segunda pagaria pelo carro.

E a mulher berrava, berrava e ate ameaçou das uns safanões do mago bacalhau. Foi nessa hora que vi o mago Tapuru saindo de fininho pro canto da estrada, com as mãos na cabeça como se dissesse: “eu nao agüento mais essa mulher gritando”...

Ficou andando com as mãos na cabeça, dando voltas em torno do próprio corpo até que não agüentando mais a falação da senhora, arrancou uma das estacas que segurava uma cerca e começou a bater com o pedaço de pau no chão, indo em direção à senhora e berrando, com os olhos esbugalhados:

- “Minha senhora, eu já disse que ia pagar esse caralho, mas se a senhora abrir a boca mais uma vez, eu quebro esse pau inteiro em cima dessa lata velha e quebro também em cima da sua cabeça”.

Até eu e Schiavo ficamos assustados com a valentia do magro tapura, que foi se acalmando aos poucos e voltando a si, bufando e envergonhado, conseguiu ainda ouvir as ultimas palavras da senhora, que mudou de idéia repentinamente:

- “Então nós estamos esperando pela ligação do senhor na segunda-feira”.

E Tapuru saiu triunfante, cheio de moral, soltou o pedaço de pau no chão e entrou no carro, parecendo Chuck Norris depois da gripe.

Thursday, June 27, 2013

Tapuru ocupado!

Eu e meu amigo Carlos Piteno, o índio malhado, chegamos um dia na casa do nosso amigo Alexandre Santiago, mais conhecido no submundo do crime como Tapuru, para pegá-lo pra tomarmos uma naquele sábado à tarde. Como de hábito, nem descemos do carro pra tocar a campainha, mas sim apenas gritamos de dentro do carro mesmo:

- “Tapuru, vamos embora, porra!!!”

Nas calçadas, os vizinhos eram muitos, conversando entre eles, aproveitando o dia bonito que fazia. Eram senhoras, senhores, crianças, meninas e mais alguns animais. Qual nao foi a nossa surpresa quando um voz lá de dentro berrou:

- “Tapuru tá cagando!!!”

Não nos agüentamos ao ouvirmos tal inusitada resposta. As senhoras começaram a fazer cara feia e ficou aquele ti-ti-ti dos vizinhos. Piteno, como é filho da puta, e mesmo diante da crise de riso que estávamos tendo, disse que ia chamar Tapuru de novo, só de sacanagem pra ver o que daria. Foi ai que a voz veio mais forte dessa vez lá de dentro:

- “Tapuru tá cagandooooooooooooooooo!!!”

As senhoras em polvorosa começaram a se agitar mais ainda. Começavam a falar da má educação dos moradores daquela rua, diziam que esses novos tempos ninguém tinha valores e etc. Mais uma vez, Piteno grita:

- “Tapuru, meu amigo, vamos logo!!!”

Inconformada, a voz responde:

- “TAPURU TÁ CAGANDO, PORRRRAAAAAAAAAA!!!”

- “Tapuru, rapaz, você nao esta escutando a gente chamar nao, é?”, Piteno provocou.
Xingu, o dono da voz reveladora, perde a paciência e vai até o portão deixar claro o que Tapuru está fazendo. E berra bem próximo ao portão:

- “TAPURU ESTÁ CAGANDO, CARALHO, NAO SABE O QUE É CAGAR NAO? O BICHO TÁ CAGANDO, CAGANDO, CAGANDO...”

E sobe o muro gritando e dizendo o que o rapaz estava fazendo, mas aos poucos foi baixando o tom da voz, até ficar mudo e observando as dezenas de cabeças que observavam incrédulas a sua descrição do porque que o irmão estava demorando.

Abaixou a cabeça lentamente e se retirou do muro, mas nao sem antes perceber que tinham dois indivíduos tendo ataques de riso dentro do carro do Hal Pitena e mesmo com toda a sua cara de pau que é conhecido, passou o dia inteiro sem colocar os pés na calcada. Os gestos de reprovação dos vizinhos fizeram com que o velho xinga se envergonhasse pela primeira vez na vida.

Wednesday, June 26, 2013

O careca e o bacamarte

Gustavo Maguinho e Segundo Motta vinham passeando pela Praia do Meio quando avistaram Mário Careca desfilando alegremente no seu gol branco, recheado de garotas da UNP, onde ele estudava. O fato dele não pegar nenhuma delas fez com que seu apelido na época fosse “Márcio Queirós, aquele que trás as mulheres pra nós”.

Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que esses dois elementos tinham no carro de Segundo Motta, uma espingarda calibre doze, de cano duplo. Como era madrugada, hora do dia em que o medo de assalto aumenta bastante, eles encostaram ao lado do carro de Márcio quando iam subindo a Ladeira do Sol, pela esquerda do careca e antes de Márcio conseguir identificar o que estava acontecendo, Maguinho mete a espingarda nas fuças do negão e grita:

- “Vais morrer, desgraçado!!! Vais morrer, filha da puta!!!”

O careca desesperou-se, soltou as mãos do volante, subiu o canteiro, amassou todo o carro por debaixo, isso sem falar na gritaria e chororô por parte das meninas que o acompanhavam.

Os mal-intencionados Maguinho e Monstro do Pântano (apelido carinhoso de Segundo Motta) foram até a praia novamente e outra vez subiram a ladeira do sol atrás de saber o que havia acontecido com Marcio.

O careca estava parado ali em frente do Hospital Universitário Onofre Lopes, com as mãos na cabeça e analisando o carro pra ver os danos. As meninas desesperadas nao paravam de ligar com seus telefones celulares pra parentes, e amigos, contando o que aconteceu. Pensavam ate que tinha sido uma tentativa de seqüestro frustrada.

Foi então que viram o carro do monstro se aproximando novamente. Dessa vez o careca molhou a cueca. Correu pra detrás do carro e se abaixou, mostrando o quanto era valente. Foi uma das meninas que ficou olhando pros dois supostos ladrões e disse:

- Eu conheço esses meninos de algum lugar.

Nesse instante, o careca criou coragem e se levantou. Ao constatar que se tratava de Maguinho, foi lá dizer que aquilo nao era brincadeira, que aquilo era uma sacanagem, que era uma coisa sem noção, coisa e tal.

Ele falava educadamente, mas a vontade dele era voar no pescoço de Maguinho e da-lhe um cacete, mas como o homem era faixa preta de jiu jitsu, o careca escolheu o caminho mais pacifico, mesmo sabendo que a carabina estava na mão do passageiro e nao na do motorista.

Mas o motorista ficou rindo, o que irritou o careca, pois nao conhecia o mesmo. Num ato continuo, foi ao lado do motorista e começou a agredir o rapaz, que pouco tinha a ver com o ocorrido.

Maguinho, como é outro filha da puta, ficou somente rindo da reação inesperada do careca e o monstro do pântano, também conhecido como papo de pelicano, ficava só se defendendo e chamando Maguinho pra socorre-lo.

Num gesto de valentia tardia, Marcio parou de agredir o rapaz, subiu as calças pelo cinto, bateu uma mão na outra e gritou pra harém que o acompanhava:

- Vamos embora que eu nao vou perder meu tempo com esse palhaço mais nao.

E saiu cheio de moral, ignorando totalmente o fato de que o monstro do pântano nada tinha feito e que o culpado de tudo era Maguinho. Com isso, pode-se perceber que o careca apesar de nao ter cabelo, tem juízo, e na frente das meninas levar uma trabucada já era demais, imagine então uma surra extra? Deu-se por vingado e foi contar a sua historia lá no Pittsburg, pra Batista e sua gangue.

Thursday, May 30, 2013

Semana Santa em Muriú

Logo no começo da minha amizade com a Família Guerreiro, o mais próximo de mim era Clóvis. Depois é que desenvolvi maior amizade com Bal, até porque tínhamos idade mais parecida.

Mas na primeira vez que cheguei na casa da família em Muriú, fui levado pelas mãos de Clóvis. Era semana santa e logo ao chegar soube porque o Seu Omar era tão falado na roda dos amigos.

Fui cumprimenta-lo e ele foi logo me perguntando: “Trouxe o que? Pergunto pois Luis Cláudio veio aqui e trouxe metade de um pacote de macarrão e três quartos de um frango pra passar o mês inteiro. Esperava que você tivesse trazido mais, mas não vejo nada nas suas mãos”.

Evidentemente que ele estava brincando, mas do jeito que falava, parecia estar bem sério e pior ainda quando o sujeito não conhece. Quando acontecia isso, Dona Regina sempre vinha em nosso socorro.

O feriado passou-se com tiradas como essa o tempo todo. Ninguém conseguia ficar sem dar risadas ao lado do Seu Omar. Eis que na hora de ir embora no domingo à tarde, pois ainda pretendíamos ir à domingueira da boate pool music hall , comandada pelo nosso amigo Bruno Mentirinha, Seu Omar ainda bebia e comia com seus convidados na varanda da casa.

Dona Regina, como sempre muito atenciosa, disse pra mim: “Meu filho, volte sempre, a casa é sua. Espero que tenha gostado.”

Seu Omar respondia, sem o menor constrangimento, na frente de umas dez pessoas convidadas dele: “Claro que ele gostou, Regina, o que você acha? Não trouxe nada e ainda teve tudo do bom e do melhor”.

Ela se fez de surda aos comentários do marido e continuou, maternalmente: “Venha cá me dá um beijo antes de ir”.

Aí foi demais pro Seu Omar, que levantou-se e berrou: “Assim é foda, o cara vem pra minha casa, come de graça, bebe de graça, e no final ainda vem beijar a minha mulher. Vá pra puta que pariu!!!”

Não é preciso dizer que ninguém se agüentou e eu não tinha lugar pra enfiar a minha cara.

Tuesday, May 28, 2013

Qual cinturão?

Como num ato de sadismo extremo, o seu Omar obrigava Bal a ir pegar o cinturão toda vez que ele julgava ser necessário dar uma surra nele. Em uma dessas noites de surra anunciada, Bal foi buscar o cinto pra apanhar.

Chegando ao quarto onde o cinturão estava pendurado, ele avistou um cinto felpudo de roupão e rapidamente imaginou que apanhar com o cinto fofo doeria menos. Não teve duvidas, agarrou o bicho e levou pro pai.

Seu Omar, ao avistar aquele cinto de roupão nas mãos do filho, não se conteve e começou a rir. Mas como era velha raposa, não podia perder a moral e sentenciou:

- “Vou lhe dar o direito de escolha por você ter se mostrado um sujeito inteligente. Você prefere 50 cintadas com esse cinto do roupão ou 10 com o cinturão de couro?”

Bal, sabendo que mesmo sendo fofinho, 50 laboradas não são fáceis e optou pelo velho método a qual estava acostumado. Foi destrocar os cintos e novamente foi dormir com couro quente, pois mesmo com a brincadeira, a punição não foi suspensa.

Thursday, May 23, 2013

Sem acenos

Outro dia, Eu e Bal estávamos andando pelas ruas de Morro Branco e nos deparamos com o Seu Omar, que passava sério e calado no gol branco da Secretária da Fazenda, pois o mesmo era fiscal de renda.

Ao avistar o pai, Bal acena, numa tentativa de fazer com que o pai acenasse de volta. Sem sucesso, ele começa a gritar, e mesmo assim não é correspondido. Alem dos gritos, ele começa a pular e mexer os braços, num gesto parecido com alguém que está se afogando.

Seu Omar que a tudo assistia impassível, somente acompanhou aquele triste espetáculo com a vista e foi embora, sem sequer dar um balançar de cabeça pra Bal.

Chegando em casa, Bal injuriado foi questionar o pai o porque dele não falar com ele na rua, queria saber se ele estava com raiva dele por algum motivo, que ele poderia se explicar pra atenuar a raiva do pai ou qualquer coisa assim.

Foi então que Seu Omar respondeu pra Bal numa lógica simples, comum somente aos gênios:

- Aníbal, eu falo com você toda hora em casa, porque haveria de falar também na rua? Quem você pensa que é, alguma estrela de Hollywood pra ter toda essa atenção?